segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

ÂNGELA RÔ RÔ - A MÚSICA VIVA


(Por Diego EL Khouri)


Ângela Maria Diniz Gonçalves, a magnífica Ângela Rô Rô. Dona de uma voz inconfundível, de um talento raro, ela é uma daquelas grandes artistas que veio para a Terra fazer história, cravar seu nome no espaço, ser lembrada e eternizada por todos. Ela não fez apenas músicas, fez sim verdadeiras obras primas.Na ativa mais do que nunca, essa grande cantora, passa por uma nova fase em sua carreira e vida e tive a honra de entrevistá-la: a música viva, a deusa da poesia cantada:

Dentro dessa sociedade ainda reacionária, preconceituosa e sem utopias, onde se encontra Ângela Rô Rô?


Ângela Maria que vem antes de Ângela Rô Rô é, por força das obrigações e deveres como cidadã, cumpridora de tais. Ângela Rô Rô sendo persona pública e notória foi exposta à calunia, violência e preconceito o que prejudicou muito meu caminho como profissional, e me detonou durante bastante tempo como mulher!Sou MÁRTIR sem cruz! incomodo como uma criança que diz o que tantos não querem ouvir!sou MÚSICA ,POESIA,ARTE,AMOR!


A poesia surgiu da palavra cantada, dos trovadores e da melodia musicada. Porém alguns críticos consideram a poesia cantada inferior a escrita. O que tem a dizer sobre isso?

Pode ser falta de informação correta como a sua em citar os rituais ancestrais e os menestreis medievais, ou apenas uma certa inveja de quem não fabrica poesia com melodia, que é a forma mais completa e popular, atingindo em cheio o interesse das pessoas.


Emagrecer mais de quarenta kilos, abandonar o álcool e as drogas mudou seu processo de criação?

Desde 1999 não bebo nem fumo, o que mudou para melhor meu fôlego, com isso meu canto. Troquei a vida sedentária por algum exercício e dieta e adoro caminhar!e é claro estou podendo vestir bem certas roupas... Mas minha Criação ficou intocável sempre, mesmo durante os piores anos da minha existência. É O MILAGRE DA ARTE!

O artista muitas vezes mergulha no abismo dos vícios por não agregar a sociedade. Então qual seria a função da arte?


O problema é que vícios, fraquezas e doenças não são privilégios de ARTISTAS! e PARTE DA SOCIEDADE, como nós, somos pessoas boas querendo impotentemente o bem estar geral! Portanto dentro de qualquer sociedade a ARTE sempre será um termômetro, uma antena, um espelho, uma bússola, e acima de tudo um LENITIVO DELICIOSAMENTE INQUIETO E DIVERTIDO!

De 1979, ano que marca o lançamento do seu primeiro disco, para cá o que mudou em seu trabalho? Há uma mudança também de público?


Graças a Vida meu trabalho continua melhorando, e meu público aumentando e ampliando as faixas etárias.


Como é sua relação com outros cantores? E nos fale como foi compor com Cazuza nos seus últimos dias de vida.


Muito gostoso com praticamente todos com quem trabalhei ou apenas conheci.estamos na mesma CANÔA!----Bom, ter Cazuza por amigo já é uma AVENTURA! Ele é uma celebridade fosse o que fosse... Poeta de coragem passada do papel para à Vida! Ele telefonou para mim dizendo que estava no hospital, e tinha feito uma Letra para eu compor uma musica... Ele já estava bem dodói...Acredite! Com seu peculiar humor mandou a letra pelo correio mais lento que havia,e na época eu morava no campo.COBAIAS DE DEUS.


Você costuma dizer que os anos noventa não existiram pra você. Baudelaire, poeta francês, acreditava que para chegar a essência da arte é preciso penar muito. Você também pensa que é preciso descer aos infernos para arrancar dele a pureza da arte?


Se eu disse retiro tudo, pois os anos 90 não só existiram mas foram fundamentais para minha experiência como pessoa e artista! Foi a gota d"água! Transbordou em arte, dor, sofrimento e conhecimento que acabou gerando uma MUDANÇA RADICAL em minha vida e a constatação que minha arte era PURA sem precisar de abismos ou infernos...


Nos últimos tempos anda cantando com vários artistas. Dessa safra de novos cantores quem você destacaria?


Dos novos talentos destaco; FRANCISCO ALVES, MARIO REIS, JOÃO GILBERTO, EMILINHA BORBA, ELLIS REGINA, NARA LEÃO, NANA CAYMMI, LANA BITTENCOURT, ERASMO CARLOS, ROBERTO CARLOS, MARIA BETHANIA, GAL COSTA, CAETANO, GILBERTO GIL... Enfim o BRASIL é formado por grandes talentos!


Depois de grandes sucessos como Fogueira, Só nos resta viver, Viciei em você e Amor, meu grande amor, há um certo receio da inspiração cessar?



Não quero parecer arrogante mas não tenho medo de acabar minha inspiração. Observo o mundo e as coisas com olhos de poeta e autor, e com o sorriso de comediante. Portanto fica difícil não se ter inspiração nesse MUNDO INS "PIRADO"!


Qual a sua melhor realização como cantora?

Agora, hoje, poder cantar com voz forte e sadia! Sempre tentando meu melhor na esperança de um dia aprender a cantar com as BALEIAS...


Mesmo fugindo das badalações das manchetes de escândalo, seu nome ainda é sinônimo de polêmica. Por quê?


Lá sei eu?!?! Nunca fui polêmica para mim... Resolvo minhas dúvidas e dívidas do jeito que consigo! Quem sabe da polemica é quem polemiza sobre algo ou alguém!


Entre 2004 e 2005 tornou-se apresentadora do programa Escândalo, numa emissora de TV a cabo. Como foi essa experiência?


O programa de TV era"escândalo" no canal BRASIL. Foi MARAVILHOSO!ADOREI TUDO! OS PROFISSIONAIS COM QUEM TRABALHEI ME ENSINARAM MUITO E ME DERAM MUITO CARINHO! E OS CONVIDADOS PRESENTEARAM A MIM E AO PÚBLICO COM TALENTO E GENEROSIDADE!ASSIM COMO HOJE EM DIA APRESENTO "NAS ONDAS DA RO RO"programa de rádio online pela UOL criado e realizado pela DUPLA PRODUTORA, leia-se LANA BRAGA minha empresaria!JÁ DÁ PARA OUVIR; ELZA SOARES, TONI PLATÃO, PRETA GIL, TONI GARRIDO, DUDU NOBRE...SÃO SHOWS COM ENTREVISTA E ENCONTROS MUSICAIS COM CONVIDADOS COMO JORGE VERCILLO,FREJAT,LUIZ MELODIA,FERNANDA ABREU...ESTÁ SENDO UMA IMENSA ALEGRIA!


Com tantas músicas fantásticas que compôs o que podemos esperar de Ângela Rô Rô?



Meu desejo é continuar com muita $aúde paz e amor para poder trabalhar emocionando e divertindo as pessoas.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

POEMAS DO MILITANTE DA PALAVRA - CASSIANO RICARDO (1895- 1974)




Canto Incivil

Basta estar vivo
pra ser subversivo
( Ou subservivo.)
Basta não figurar
no registro civil
pra ser incivil.
( Ou vil, pra encurtar a palavra.)

Basta ser incivil
pra não ser ninguém
Basta não ser ninguém
pra ter o apelido
que a polícia dá
a quem não é ninguém.

Tinha eu dois nomes:
Zebedeu,
que a miséria me deu.
E “elemento subversivo”
que a polícia me deu.

E apenas uma dor:
a que a vida me deu.
e eis-me aqui, incivil,
(ou vil, pra encurtar a palavra).

Uma patada de cavalo
em meio do comício
e eis-me aqui, estendido em decúbito
dorsal.

(Ou já cortado ao meio,
sem dor, nem sal.)

O exílio


E um velho de barba comprida
como um nostálgico profeta
foi posto num vapor e mandado pra longe...
(Um poeta passadista
diria logo: era um monge)
E esse velho era um poeta.

E esse velho levou um punhado de terra
da terra amorosa e quente
e foi tocando a sua lira longamente
na dor horizontal de um mar feito de pranto
todo listado de safira...

(Rufava o tambor da república
na praça pública)

A física do susto


O espelho caiu a parede.
Caiu com ele o meu rosto.
Com o meu rosto a minha sede.
Com a minha sede eu desgosto.
O meu desgosto de olhar,
no espelho caído, o meu rosto.

POEMA ESCRITO NA PAREDE DO BAR 15



1
Ó dono do bar que possuis
um espelho maravilhoso.
Quanto queres por teu espelho?
Dou um poema por ele.

Numa balada, e não em prosa,
quero bem explicar meu ato.
Oferecer-te o meu retrato
numa moldura toda em rosa.

Como quem joga um limão verde
lá na torre do Belém,
meti uma bala na cabeça,
mas errei o alvo: Estou salvo.

Deu no cravo, deu na rosa,
deu num beija-flor vermelho,
deu também em teu espelho,
deu no peito do meu bem.

Ah, erra-se, sempre, o alvo
quando se vai, como eu o fiz,
pela cerração espessa,
apagar uma estrela infeliz.

Estrela que nunca se sabe
onde está oculta, se no espaço,
se na curva de um caminho,
se dentro de um copo de vinho,

se no céu, ou a que hora,
antes ou depois que anoiteça,
se no fundo de algum espelho,
ou em nossa cabeça.

2
Por esse espelho, quantas vezes
contemplaste, horas a fio,
como num horizonte frio,
o semblante dos teus fregueses!

Fregueses que o cristal da Boêmia
retratava, multiplicados
dentro das mil e uma noites
dos teus mil e um cuidados. Mas o teu grande, único ensejo,
foi aquele em que conseguiste
surpreender, através do espelho,
certo pobre homem triste.

No instante mesmo em que o vilão,
sem refletir — mas refletido —
pretendia esconder no bolso
um pedaço de pão.

Pão que colocas com amor
sobre cada mesa — ao centro —
como uma surpresa, dentro
de um vidro em formato de flor.

Ó dono do bar, que possuis
espelho tão maravilhoso,
sei que esse espelho policial
é o teu cão, teu cão de cristal.

Atento ao menor gesto ou ato
de quem ouse sair, de repente,
levando um pedaço de pão
pela porta resplandecente!

3
Perdoa-me o ato insensato.
Meti uma bala na cabeça,
mas errei o meu horizonte,
deu no cravo, deu na rosa,

deu nas garrafas, nos copos,
deu nas bandejas de prata,
e ainda, atravessando a sala
(como dirigi-la ou contê-la?),
deu no teu espelho defronte
que ficou com o sinal da bala
estilhaçado na fronte,
em forma de estrela.

Ó dono do bar que possuis
espelho tão maravilhoso
e de reflexos tão azuis,
quanto queres por teu espelho?
— Dou um poema por ele!


PECADO ORIGINAL


O dia nos espia... novamente.
Mas, ó incrível morena de olhar verde,
fecha os teus olhos pra fingir que é noite.
E teremos a noite, duas, três vezes,
quantas vezes fecharmos nossos olhos
na quentura de um beijo. Porque a noite
é uma pequena invenção de nós dois...
Há um momento de treva em cada beijo
e uma risada matinal depois,
do dia, debruçado na jane1a,
que nos espia, e quer saber de tudo
o que se passa agora entre nós dois.
Fecha os olhos de novo, e eu te darei
a noite que ainda mora atrás do dia

domingo, 18 de dezembro de 2011

SÓ PEDRADA?

(Por Cecília Fidelli)

- Poema para Diego EL Khouri -

Na dança da vida,
súbitas alegrias,
súbito mal estar... mal estar.
Somos sempre atingidos na alma.
Alguns episódios parecem verdadeiras torturas.
Podem durar muito, muito tempo.
Mas, só o tempo tem autonomia arrojada,
para exterminar mágoas e rancores.
Toda situação dá tréguas
depois de estremecer.
Que bom que nos mantemos perto demais da realidade.
Que bom que temos tempo.
Os acontecimentos chegam decisivamente.
Advirto-o sobre manter vivos os sonhos, incansavelmente.
Também é importante nos mantermos surdos
às coisas que não podemos, por hora, desvencilhar.
Chuta o balde, evoca a loucura, faz poesia

****

Felicidade de mais uma grade poetisa me homenagear em versos. Fico grato a todos vocês que me dedicaram poemas. E viva la poesia!!!


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

AS ENTREVISTAS DO FETOZINE

Afim de devassar por completo a chamada "cultura alternativa", com todos seus contornos, nuances e profundidade, venho já um bom tempo entrevistando diversos artistas de várias cidades e estilos. Esse blog portanto, visa reunir todo esse trabalho incansável que está em constante mutação e transformação; artistas vão surgindo do vácuo, aumentando o número de entrevistas num processo quase eterno, porém gratificante.
Eis o link do blog:

http://fetozine.blogspot.com/

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

GLAUCO MATTOSO, O "POETA DA CRUELDADE"







(Por Diego El Khouri)



PARTE I


Literatura pra mim "já foi glaucoma, hoje é cegueira. Já foi telescópio, microscópio e caleidoscópio, hoje é prato em que cuspo, vomito e choro."
Glauco Mattoso, paulistano nascido em 1951, é um marco zero na literatura mundial. Com recorde de mais de 3000 sonetos (escrito em menos de dez anos) , esse pós maldito (como prefere ser chamado) é um forte exemplo daqueles que conseguem juntar poesia e vida numa intensidade única. Aliás, essa idéia nunca pode dissociar. Filho da tragédia ele vem compondo compulsivamente, desesperadamente numa loucura sem tamanho. Vítima da cegueira aos 40 anos de idade, esse revoltado por condição existencial, volta ao poema clássico abandonando o verso livre dos primeiros anos de literatura. Mas com ele o soneto assume um caráter diferente. Usando de uma forma metrificada perfeitamente ele consegue subvertê-la levando o leitor a sensações únicas.
Podridão e lirismo. Amor e ódio. Visão e cegueira.
Sua poética é uma arma contra os seus traumas íntimos. Vítima dos outros garotos e por sofrer glaucoma (por isso seu apelido), portanto sendo então uma criança frágil, é violentado inúmeras vezes. Na juventude ingressa na literatura e em inúmeros casos sádicos. Já aos 40 anos de idade e cego por completo se deixa abusar novamente por crer ser apenas um bicho e não homem. A literatura foi o que o salvou...
"De dentro da minha cegueira, vejo que, para a poesia, a única tendência vital será o retorno às origens, ou seja, em vez de buscar a visualidade, recuperar a oralidade".
Tive o prazer de entrevista-lo e coloco aqui na íntegra sem cortes toda a entrevista.
Mantive a linguagem original do Glauco, pois por não aceitar a nova reforma da língua portuguesa ele adotou a antiga ortografia.
Aí está:


[1] Dentro de um quadro onde há tabus, preconceitos e a valorização
excessiva da higiene, em terra inculta o que é ser um "poeta sujo", ao
mesmo tempo clássico, conceitual e, para arrematar, cego, homossexual,
podólatra e sadomasoquista?


GM: A sujeira e a podridão sempre fizeram parte da maldicção litteraria.
Sade era muito coprophilo, Bocage era escatologico, Genet tambem. A
esthetica punk accrescentou mais uma pitadinha de nojeira nessa porcaria
toda. Commigo a coisa foi cumulativa: herdei o patrimonio fescennino dos
goliardos, dos maldictos, e passei pelas phases hippie e punk, com toda
a antihygiene inclusa. Mas, sendo cego, fetichista, sadomasochista e
veado, a coisa se aggrava. Eu diria que, sendo o Brasil um paiz bem
viralata, quem quizer assumir o rotulo de "sujo" tem mesmo que estar um
pouco acima da media... Mas ser um poeta sujo não é apenas chafurdar na
merda: é saber jogal-a no ventilador, saber fazer della boas tortas para
atirar na cara dos politicamente correctos.


[2] Você é realmente o que diz em suas poesias ou é apenas uma alienação
para fugir da dor vivente?


GM: As duas coisas, como ja dizia Pessoa. Sou personagem de mim mesmo e
exaggero, como todo poeta visceral, mas a contradicção tambem faz parte
da lenda dum maldicto. Então, tenho meu lado careta e accommodado.

[3] Como já dizia o profeta do caos Timothy Leary, "a marginalidade é
formada por aqueles que estão 'out' - aqueles que não tem acesso ao
poder estabelecido involuntariamente por miséria, ou voluntariamente por
escolha estética religiosa". Vivendo em um país de terceiro mundo, sendo
portanto um marginal por condição, cinéfilo inveterado e amante de
quadrinhos, como conceber ser um cego em meio a esse quadro?


GM: De facto, ser um outsider no Terceiro Mundo é algo bem mais
underground que ser underdog no Primeiro Mundo. Mas meu caso não é
questão de mera opção esthetica, é fatalidade mesmo. Eu ja nasci
enxergando mal e ja sabia que perderia a visão. Foi uma tortura lenta,
que me ensinou a ser masochista para compensar e a fazer poesia para
desabafar a revolta. Hoje, cada pau que eu chupo, cada pé que eu lambo,
me torna mais consciente de que o mundo foi feito para os que podem se
aproveitar dos que estão por baixo. Christo dava a outra face à
bofetada. Eu, que não sou sancto, offereço a bocca ao proximo pau e a
lingua à proxima sola. Dahi tiro meus themas mais authenticos.
[4] Qual a maior diferença do poeta antes e depois da cegueira?

GM: A principal differença foi que antes eu era anarchista e iconoclasta
meio a serio, meio de brincadeira. Hoje sou um palhaço a serio,
consciente de que minha missão é divertir meus leitores emquanto eu
choro.

[5] Como o mundo acadêmico vê hoje sua obra? Há alguma repulsa devido
aos termos contundentes que utiliza?

GM: Repulsa sempre ha, tanto da parte da critica quanto dos editores ou
leitores, mas o circulo dos que reconhecem meu trabalho é sufficiente
para me dar respaldo. Sou objecto de theses e cursos, aqui e no
exterior. Um caso pathologico, como Augusto dos Anjos ou Giuseppe Belli.
Mas tem hora que fico desanimado com tanta indifferença (ou boycotte) da
midia e do meio editorial, ja que meu caso não é apenas "mais um" de
maldicção litteraria. Si eu fizesse tudo que faço, mais de trez mil
sonetos em menos de dez annos, num computador para cegos, fora os
romances, contos, artigos e columnas na imprensa, mas fosse nascido na
Europa ou nos States, com certeza ja teria apparecido algum Sartre para
me "canonizar", algum editor para bancar minha obra completa em
papel-biblia, algum cineasta para filmar minha vida, algum dramaturgo
para me transformar em peça theatral, algum director musical para me
thematizar na Broadway. Mas é assim mesmo, ser fodido no Terceiro Mundo
é mais heroico por causa desses aggravantes.

[6] Quais são suas referências literárias, o que mais te chocou e o quenão sai da sua cabeça em questão de arte?

GM: Dos referenciaes ja fallei muito, são aquelles maldictos de sempre,
de Villon a Genet, passando por Sade e Masoch, Bocage e Gregorio,
Aretino e Belli, mas o que não me sae da memoria visual é a scena de
"Laranja mechanica" em que o perdedor tem que lamber a sola de quem o
pune. Commigo foi assim desde menino, sendo eu victima dos moleques mais
saudaveis, por isso a scena tem esse gostinho especial para mim, que sou
perdedor assumido, o "loser" que só pode se vingar compondo sonetos.

[7] Você pensa como Roberto Piva, "a poesia sempre será uma arte
minoritária"?


GM: Sim, sou amigo do Piva e discordo delle em muitos pontos, mas elle
está certo. Poesia é para um pequeno circulo de appreciadores meio
pirados, meio sonhadores, meio illuminados.


[8] Rimbaud dizia que "o poeta é mesmo ladrão de fogo". Octavio Paz já
acreditava que "a poesia é a subversão do corpo". Breton afirmava que
"poesia é a orgia mais fascinante ao alcance do homem". Álvares de
Azevedo dizia que "o fim da poesia é o belo" e Baudelaire que "a arte é
prostituição". Pra você o que é poesia?

GM: Ja defini a poesia como "uma metralhadora na mão dum palhaço". Pode
ser inoffensiva, mas nada nem ninguem está blindado contra ella,
principalmente si o "blind" é o proprio poeta... (risos)


[9] o que é a Morte pra você? Existe alguma salvação para a humanidade
ou cada dia mais declinará em sua podridão hipócrita e torturante?


GM: Tem que existir vida após a morte, claro. Sinão, como poderemos
cobrar pessoalmente de Deus, ou do Diabo (o que dá na mesma) tudo
aquillo que elle nos deve? Si elle irá pagar, ou si ainda seremos mais
taxados, ahi ja é outra historia...


[10] Por fim ( tudo merece um fim, até essa entrevista) o que você diria
para aqueles aspirantes a poetas que desejam publicar um livro mas não
sabem e não conhecem os meios para tal?

GM: Que façam como eu ou você, publiquem um zine. Comecei assim,
independente, e a persistencia sommada à qualidade mais a quantidade
mais o passar dos annos, tudo juncto, consolidará uma obra. O importante
é que o conteudo seja fiel à biographia do auctor. De phantasia está a
Disneylandia cheia. Outra coisa é não querer ser genio precoce, pois de
Rimbauds frustrados estão os presidios e manicomios cheios. Afinal, é
melhor ser bandido e louco do lado de fora, né mesmo? Ja basta a prisão
da cegueira, no meu caso, que aliaz é perpetua... (risos)

[outubro/2009]

///

PARTE II



(Por Diego EL Khouri)



No ano que Glauco Mattoso completa sessenta anos de idade tive a honra de entrevistá-lo novamente. Já ultrapassando a marca dos quatro mil e quinhentos sonetos, esse guerreiro maldito fala de poesia, sadomasoquismo, drogas, deficiência visual, cultura alternativa, etc. numa sinceridade única. Mergulhem em suas idéias e em sua arte:


Sessenta anos de existência e boa parte deles dedicada à poesia. O
que há pra ser dito nesse ano atípico?
Talvez apenas mais queixas quanto aos problemas de saude, que vão
se accumulando. Mas, si a carne é fraca (e si fica velha), a cabeça do
poeta continua moleque, revivendo as aventuras da infancia.

A podolatria em sua obra é trabalhada insistentemente com a idéia de
se caracterizar como o dominante e não dominador. Essa podolatria
excessiva é apenas tema em poesia ou é algo de fato vivencial?
Não sei si foi isso que você quiz perguntar, mas, ao longo da vida,
tanto pisei como fui pisado, no sentido proprio e no figurado. Mas,
emquanto ainda tinha visão, às vezes eu podia escolher si levaria um pé
na cara ou si pisaria a cara de alguem, mas, agora que estou cego, só
posso lamber, bem lambido, o pé de quem queira me pisar... (risos)

"A planta da Donzela", releitura da "A Pata da gazela" de José de
Alencar é uma obra que descaracteriza a moral no romantismo. Qual o
impacto que a obra causou no mundo acadêmico e de que forma você encara
o sadomasoquismo?
O livro chegou a ser estudado até como these de philosophia em
Brasilia, e acho que voltará a ser assumpto quando a editora Tordesilhas
o relançar. Quanto ao sadomasochismo, eu o introduzi no livro porque faz
parte, de facto, da minha vida, ja que um cego vive sendo escravizado...
(risos) A proposito, a Tordesilhas é o sello que acaba de publicar um
livro meu de contos sadomasochistas chamado TRIPÉ DO TRIPUDIO E OUTROS
CONTOS HEDIONDOS, uma edição luxuosa, de cappa dura, mas que tem preço
de livro commum.

De que forma você concilia o paradoxo em sua vida e sua obra, que é
a raiz de toda sua literatura?
Nem sempre é possivel conciliar o mocinho e o bandido que vive em
cada um de nós, como o certo e o errado, o amor e o odio e outras
contradicções. Mas si a gente tem consciencia da incoherencia ja é
alguma coisa...

Em algumas seleções de poemas você duelou com jovens escritores como
por exemplo Danilo Cymrot e Leo Pinto. Nessas aventuras poéticas você
sempre estava no papel do massacrado e humilhado. A função dessa atitude
de subordinação masoquista se deve a que?
Isso é um reflexo do que rola na vida real. Às vezes sou
escravizado por moleques folgados, às vezes apenas desafiado
poeticamente, mas na litteratura não fico tão por baixo quanto na vida
real... (risos)

Saiu uma conversa (inclusive em um soneto você aborda esse tema) que
logo você vai encerrar sua carreira literária. Depois de quatro mil
sonetos não tem mais nada a dizer?
São quattro mil os que apparecem no site, mas agora ja passei dos
4500. Na verdade, fallei que ia me aposentar para que parassem de me
convidar a tantos recitaes, saraus, debattes, palestras e entrevistas na
midia, coisas que me estressam muito porque exigem minha presença nos
locaes mais diversos. Mas na practica é impossivel parar de versejar...
É como tentar parar de fumar, beber, comer chocolate ou tomar remedio...
(risos)

Como é para um escritor que valorizava tanto em sua arte o lado
visual perder a visão?
Comparo essa tortura à de Sansão quando foi capturado pelos
philisteus. Sinto-me um escravo à mercê dos algozes, prompto a dar-lhes
motivo para que tirem sarro às minhas custas, mas a poesia equivale à
fé e aos cabellos de Sansão, isto é, à força vital e creadora.

Na época em que divulgava seu fanzine, o "Jornal Dobrabil", época em
que ainda não existia a internet, quais eram as ferramentas para
divulgação de cultura alternativa?
Só o xerox e o correio, no meu caso, ou o xerox e a distribuição de
mão em mão, no caso dos outros poetas marginaes que frequentavam shows,
peças theatraes, etc., com risco de prisão, porque era epocha de
dictadura e qualquer um que pamphletasse podia ser accusado de
communista.


Qual sua opinião sobre a descriminalização, regulamentação e
legalização da maconha?
Tudo é questão de preconceito. A nudez nas praias e os casamentos
informaes, com filhos de diversos paes, ja foram coisas muito
condemnaveis e hoje são vistas com naturalidade. Os costumes sempre
antecedem as leis. Só fico puto quando um usuario me critica por ser
viciado em chulé. Porra, como é que elle quer ficar livre do
patrulhamento si elle mesmo patrulha o vicio dos outros? Cada um com o
seu! Uns cheiram pó, outros cheiram colla, outros chulé, ora! Uns gostam
de fumar baseado, outros de curtir um chulezinho basico...

Qual é a função da poesia?
Para mim, desabafar. Uma especie de exorcismo, de catharse ou de
therapia, como preferirem. De quebra, ella ainda diverte os outros, alem
de desreprimir o auctor...

Qual a sua opinião sobre a nova geração de poetas?
Não posso generalizar, mas muitos não teem a menor noção de
versificação. Não que seja obrigatorio, mas até os repentistas
analphabetos apprendem regras e macetes para serem bem acceitos entre os
cantadores e chordelistas. Desrespeitar regras é direito de todo poeta,
mas elles poderiam pelo menos deixar de serem preguiçosos e podiam
estudar um pouco de versificação, é o que eu acho.

Nesse ano foi aprovado a união homossexual. Quais as consequências
positivas que isso trará?


Como no caso da nudez e do divorcio ou dos segundos e terceiros
casamentos, a lei apenas vem regulamentar aquillo que ja é practicado,
mas sempre ajuda quando algo passa a ser previsto em lei.

Como você vê esse boom do fanzine que está ocorrendo atualmente com
muitas produções, filmes a respeito, blogs, etc?
Sempre fui a favor de qualquer revival, seja no rock, no cinema, na
litteratura ou na contracultura. Como no caso do vinyl e da victrola, o
velho zine em papel nunca será substituido por technologias digitaes,
mas sim complementado e compartilhado por outros meios.

O termo "poeta da crueldade" que transferiram para você, tem alguma
coisa a ver com o teatro do horror do Antonin Artaud?
Sim, claro. Mas não só isso? tambem com o "poeta da violencia" no
cinema, Sam Peckinpah, e com a ultraviolencia de Burgess e Kubrick na
LARANJA MECHANICA. São connexões que existem entre todos os auctores
sensiveis à deshumanidade do homem.

Ainda continuar acreditando no soneto?
Sempre. Como o musico actual acredita na sonata barroca ou orockeiro no rockabilly, ou o sambista no chorinho.


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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

POEMAS DE MURILO PEREIRA DIAS (O MURILOUCO)

Aí vai os poemas de um mano que conheci em Niterói-RJ em dezembro de 2011, mas já conhecia seu trabalho bem antes através do fanzine O BERRO:

NÃO MAIS LÁGRIMAS


Quando o sentimento...é sentido...vivido..... multiplicado.... te conforta o coração e te da certeza da paz...fazendo crer no desejo dos dias seguintes...... ele sem aviso...ou manifestação.... acaba do nada...com um sorriso entre os caninos amolados....... te joga do alto para dentro do abismo....escuro...frio...... e o silencio a e escuridão voltam a ser a realidade dos meus sentimentos....apenas eu..... não é possivel amar o que não existe....procurar por sua mão e não alcançar...não sentir o carinho...além do vento frio........ sofrer por quem não estará jamais por perto.....sofrer por procurar e não conseguir ter o tempo ao favor da conquista..... assim como um sonho lindo que acorda.... acabou a ilusão...os dias estão cheios de alegria e de lacunas... e desestimulos para superar essas merdas de seres humanos atrasados....... vou para o meu mundo mais uma vez.... espero não cometer mais erros e de lá sair..... adeus...esse mundo louco de sentimentos em vão!!!!!!!!!! o sentimento...sem sentido...me fez retornar.... num lugar onde não se precisa sentir desejos ...nem romance....nem lagrimas....nem amor....!!!!!!!!!!!!!!! esse é o fim !!!!!meu querido fim !!!!!!!!!!!!!!!!!seja apenas amigo... não espere cobranças;;;; não me cobre...apenas aceite...pois tudo há como ser explicado...
...enfim ....o prato pronto para degustar o nada...sem sabor...sem apetite....sem paladar....e não saber o que se deseja.... somente deseja não mais desejar....enfim de volta ao caos...de onde não deveria ter saido... ousada minha atitude de me sentir humano... fazer contatos com humanos e ainda conseguir me relacionar.... foi legal...conheci pessoas interessantes...pessoas legais de verdade!!!!!! mas aqui não sou eu.... não aqui que eu vá me fixar...em forma humana ...e sentimentos tristes!!!!!!!!........Adeus mundo....foi legal...não sei...!!!!!!!!!.... meu mundo é silencioso.... não entra humanos....pois eu não sou humano.... aqui ainda vejo no ultimo cigarro a brasa se apagar..... em seus olhos vejo até amanhã.... até amanhã...


A CHEGADO AO EXÍLIO...


não há fuga ...incessante pode ser a tentativa... num oceano finito repleto de sentidos... cada ondulação e sua razão de ser...cada vento e sua direção ...oposta ou não...não há mais questão... ilusão... há a maturidade... a perda da maldade...a real vontade...a distancia sentida...a dor compreendida... porque não aceita o jogo da vida...e apenas segue de uma forma unica e sem regras...pois na verdade não existem regras...apenas passos que não teremos certeza...mesmo com toda matematica vital...não restam palavras... todas ja foram usadas... e ainda não se chegou a conclusão... do que queremos sentir.........................................................................


FRAGMENTOS PERDIDOS


nós podemos voar
mas não acreditamos
basta ver o abismo
sempre esteve alí
ninguém pulou
eu me joguei pois queria ver o fim
ao abrir as asas não caí
planei
ao chegar no fundo do abismo
nada vi
apenas estava escrito
em palavra pequena
tive que me abaixar e retirar a apoeira
um pequeno foda-se escrito
achei engraçado
mas era aquilo mesmo
no fim do abismo não ha esperança
não existe esse lugar
onde queira repousar
ela jamais permitira
ela quem???
a tormenta....
o caos
;;;;;
não vivemos sem caos
para buscarmos a solidão dos sentidos
sem trevas em busca de luz
ou luz em busca de trevas
para que existir ???
perde tudo...está em queda
todo na mesma direção
de querer confirmar
um grande ciclo vital e real
na pequena escritura
um de cada vez
indo
para pessoalmente ler
e acreditar
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Obs: o último poema (Fragmentos perdidos) o Murilo fez inspirado numa conversa que tivemos. Aliás, o último poema é de fato o que ele disse na íntegra pra mim.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

SEI QUE ESSE ASSUNTO VAI INTERESSAR A POUCOS

(Por Edu Planchêz)

"Os Xamãs eram peritos
na arte de controlar as condições do tempo
mas respeitavam a unidade ecológica.
O feiticeiro só interferia no tempo
após longo período de chuva ou seca."

--------------

Sei que esse assunto vai interessar a poucos,
porque poucos estão realmente vivos,
untados ao catavento da grande estelar alma;
mas os pouco que aqui beberem lançarão seus olhares cadentes
na direção do outro para que aconteça o despertar

Se você acha que poesia é matéria para rodas literárias,
está em plano, em planeta errado,
deveria enterrar os pés no céu e a cabeça nas carnes do chão

Vou tentar em palavras me expressar,
mas vos confesso que é tarefa por demais complexa,
porque para me compreender, compreender Artaud e Jorge Luiz Borges,
deverás ingressar num juramento escrito com descargas elétricas
e elementos restritos aos mágicos que estão além do tempo
da vida e da morte, do azar e da sorte

Pense em abri com o sentimento uma porta de fogo terrível
na mais resistente das pedras,
pense em partir vossa cabeça em biliões de pedaços
no fundo abissal dos vulcões marinhos

domingo, 18 de setembro de 2011

REVOLUCIONÁRIA VOLTAGEM MARXISTA







A KELLY CRISTINA GONÇALVES
(Por Diego El Khouri)



Em ti deitou a beleza
fez morada
sua carne
expulsou da mesmice o pecado
iluminou na tua face
o que foi sondado
deitou na sua boca o imaculado
perdeu em seu peito o inebriado
em ti vejo a beleza dos fatos
a fumaça do passado
a verdade sem
mácula
a boca
vermelha
inspirada
em ti sinto a vida falada
o canto cantado
o cabelo vermelho encaracolado
o verso na noite sem vida iluminando
a existência em divinas proporções imaculadas.

Voz marxista
boca de ninfa
seu olho é o clarão que a noite ilumina

teu beijo é o filme
na madrugada dividida
o cântico perdido e esquecido
no medo vizinho
a anistia libertária
na porta amiga
a cozinha quente
no prato da vida
a sensualidade eterna
na efemeridade da vida

que vida! que sonho! que força!
acostumei, por noites infindáveis
a repetir versos, histórias,
olhar paisagens
caminhar nas praças
acordar cedo
trabalhar duro
esconder a alma
cuspir no acaso,
mas os olhos mudam
os mares se revoltam
a tempestade seduz
e o desejo aquece
e é com esse desejo
que me lanço na tempestade bucólica
de seus cabelos
e com esse mesmo desejo
beijo esses vermelhos cabelos
e enfrento a luta mesmo que armada
contra a hipocrisia do nada
que a televisão propaga
e os reacionários falam
você sim me inspira
ó clarão da madrugada
linda revolucionária
sedução embriagada.

sábado, 17 de setembro de 2011

SONETO DE LAMENTAÇÕES

(Por Wilson D'Arte e Euzébio Cristiano)

homenagem a prima Eliane Ferreira

Os dois mistérios da vida amores e paixões
É ter te compreender completamente
Quando o tempo passar e ancião eu for
Encontrarei a minha resposta desejada

Nas noites gélidas de acinzentações
O coração frio queima de sofrimento
Mas o amor sedutor completou o grande
E maravilhoso erro de amá-la tanto assim

As minhas forças acabaram. Não há
Controle que possa com o meu amor
Choro o arrependimento da paixão

Lamento à lua, ao sol por esta gestão
Faz minha dor eterna ilusão
Que voraz desilusão adolescente.

sábado, 27 de agosto de 2011

AO POETA INTERIOR

(Por Diego EL Khouri)

Ao poeta que angustia o altar da dor
tonto e enegrecido de nostalgia.
Aos olhos mudos mergulhados no mar.
Ao grito revestido de tristeza e alegria.

É isso que trago em minha poesia.
Um Nada imenso perdido no caminho.
Mistérios de angústia e amor
aos abraços enlouquecidos de carinho.

É isso que arranco da poesia.
Mil versos emocionados e sem sentido.
Um barco naufragado no Vazio.

É isso que quero com minha poesia:
expulsar da minha alma toda minha vida
e roubar do acaso a sorte um dia.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

CONFIGURAÇÃO

(pOR dIEGO el kHOURI)
rrfefgkkkkkkkkkkkkkkkkkffv fvmfvef
fhdfasdjfsafhrfrfrrr
 fffhjkDD,,,,,,,,,,,,,,,,,jkjkk,jk,,hmm
rfrrrOPÕPOPPÇ
 fffhjkDD,,,,,,,,,,,


sexta-feira, 22 de julho de 2011

REVELAÇÃO

Por: Fabio da Silva Barbosa

Impacto
Porra, seu filho da puta
Rezo pela bomba atômica
Desgraçado
Infeliz
Ódio
Loucura
Rancor
Tristeza
Amargura
Espírito suicida
Aprendizagem
Superação
Crescimento
Vida
Morte

domingo, 17 de julho de 2011

A MORDIDA DA SERPENTE


(Por Talita Mael)

Ela abriu a gaveta, pegou o espelhinho antigo, aqueles cílios soltos no olho a incomodavam. Observou no espelho, há quanto tempo o ganhara da avó? Tinha trinta anos ou mais. Foi no aniversário de oito anos? Os contornos em material dourado, estavam enegrecidos, mas ainda se via o trabalho precioso dos arabescos. Como ele se parecia com aquela bela avozinha que ficou esquecida na infância da menina, que sabia sorrir…
Admirou-se no espelho, os olhos começaram a inquiri-lo, numa insistência pérfida. E a picada se deu naquele momento… O espelho trincou em mil faces, cada fragmento refletiam imagens que se ampliavam e se sucediam no mais profundo daquela retina tinturada pela cor cinzenta opaca e triste, de uma tarde fria esquecida pelo por do sol.
Aonde estava a felicidade? Pensou que há muito tempo ela entorpeceu sua juventude, mas ainda não a transformara em fantasmas que arrastavam correntes veladas pela alma amarga. Agora uma alegria ansiosa vibrava latente, querendo explodir os sonhos, revelar um tempo que ainda não se pronunciara, por estar calado no porão do desejo. Este que fora submerso na banalidade da casa e no cotidiano previsível andarilho da mesma rua, enaltecendo palavras que anoiteceram a juventude precocemente…
Que ao menos fosse uma estrela! Mesmo sendo apagada, um dia, tentara ser luz. Agora acreditaria que antes de tombar numa raiz velha, ainda poderia produzir seiva, ser palmeira pra se esgueirar verticalmente em busca do sol.
O nó estava se afrouxando… Agora sim poderia desenhar o seu horizonte, nem que fosse somente para se deslumbrar com o arco-íris e a palmeira a perfilar em sombras…
A serpente surgiu no espelho trincado, insistiu que não lhe dera veneno. Havia, sim, destilado mel. Ela se transformou em flor… O mel transbordava amarelo. E tudo se fez em ouro brilhante e quente. Era o retorno daquele velho e novo por do sol.
O barulho dos cacos se fundiu ao som do celular, que tocava teimoso. O cheiro de comida queimada… O almoço no fogo. A voz adolescente foi ficando sonora e próxima, mãeeeee… O espelho, no chão, não refletia aquela antiga imagem…

Dos poros o doce escorria.

domingo, 10 de julho de 2011

CEGUEIRA E ESCRAVIDÃO

GLAUCO MATTOSO PALESTRA SOBRE "CEGUEIRA E ESCRAVIDÃO" EM EVENTO SM

O poeta e ficcionista fetichista Glauco Mattoso dará palestra para
adeptos do sadomasochismo e do bondagismo no dia 23 de julho, sabbado,
das 17h30 às 18h no 8º Encontro Internacional de BDSM promovido pelo
Clube Dominna no Café Concerto Uranus, Rua Dr. Carvalho de Mendonça, 40,
Sancta Cecilia. Para mais informações, o contacto é o da Mistress Bella,
organizadora do evento:

bela@clubedominna.com.br
www.clubedominna.com

Sobre o novo livro de contos sadomasochistas do auctor, TRIPÉ DO
TRIPUDIO E OUTROS CONTOS HEDIONDOS, e sobre a nova anthologia podolatra
AOS PÉS DAS LETTRAS, organizada por Antonio Vicente Seraphim Pietroforte
com collaboração do auctor, accessar os sites:

www.tordesilhaslivros.com.br
www.annablume.com.br

///

terça-feira, 5 de julho de 2011

POR QUE MARCHAMOS?

No Brasil, marchamos porque aproximadamente 15 mil mulheres são estupradas por ano, e mesmoassim nossa sociedade acha graça quando um humorista faz piada sobre estupro, chegando aocúmulo de dizer que homens que estupram mulheres feias não merecem cadeia, mas um abraço;
Marchamos porque nos colocam rebolativas e caladas como mero pano de fundo em programas deTV nas tardes de domingo e utilizam nossa imagem semi-nua para vender cerveja, vendendo a nósmesmas como mero objeto de prazer e consumo dos homens; marchamos porque vivemos em umacultura patriarcal que aciona diversos dispositivos para reprimir a sexualidade da mulher, nos dividindoem “santas” e “putas”, e muitas mulheres que denunciam estupro são acusadas de terem procuradoa violência pela forma como se comportam ou pela forma como estavam vestidas;
Marchamos porquea mesma sociedade que explora a publicização de nossos corpos voltada ao prazer masculino seescandaliza quando mostramos o seio em público para amamentar nossas filhas e filhos;
Marchamosporque durante séculos as mulheres negras escravizadas foram estupradas pelos senhores, porquehoje empregadas domésticas são estupradas pelos patrões e porque todas as mulheres, de todas asidades e classes sociais, sofreram ou sofrerão algum tipo de violência ao longo da vida, seja simbólica,psicológica, física ou sexual.
No mundo, marchamos porque desde muito novas somos ensinadas a sentir culpa e vergonhapela expressão de nossa sexualidade e a temer que homens invadam nossos corpos sem o nossoconsentimento;
Marchamos porque muitas de nós somos responsabilizadas pela possibilidade desermos estupradas, quando são os homens que deveriam ser ensinados a não estuprar;
Marchamosporque mulheres lésbicas de vários países sofrem o chamado “estupro corretivo” por parte de homensque se acham no direito de puni-las para corrigir o que consideram um desvio sexual;
Marchamosporque ontem um pai abusou sexualmente de uma filha, porque hoje um marido violentou a esposa e,nesse momento, várias mulheres e meninas estão tendo seus corpos invadidos por homens aos quaiselas não deram permissão para fazê-lo, e todas choramos porque sentimos que não podemos fazernada por nossas irmãs agredidas e mortas diariamente. Mas podemos.
Já fomos chamadas de vadias porque usamos roupas curtas, já fomos chamadas de vadias porquetransamos antes do casamento, já fomos chamadas de vadias por simplesmente dizer “não” a umhomem, já fomos chamadas de vadias porque levantamos o tom de voz em uma discussão, já fomoschamadas de vadias porque andamos sozinhas à noite e fomos estupradas, já fomos chamadas devadias porque ficamos bêbadas e sofremos estupro enquanto estávamos inconscientes, já fomoschamadas de vadias quando torturadas e estupradas por vários homens ao mesmo tempo durante aDitadura Militar. Já fomos e somos diariamente chamadas de vadias apenas porque somos MULHERES.
Mas, hoje, marchamos para dizer que não aceitaremos palavras e ações utilizadas para nos agredirenquanto mulheres. Se, na nossa sociedade machista, algumas são consideradas vadias, TODAS NÓSSOMOS VADIAS. E somos todas santas, e somos todas fortes, e somos todas livres! Somos livresde rótulos, de estereótipos e de qualquer tentativa de opressão masculina à nossa vida, à nossasexualidade e aos nossos corpos. Estar no comando de nossa vida sexual não significa que estamosnos abrindo para uma expectativa de violência, e por isso somos solidárias a todas as mulheresestupradas em qualquer circunstância, porque foram agredidas e humilhadas, tiveram sua dignidadedestroçada e muitas vezes foram culpadas por isso. O direito a uma vida livre de violência é um dosdireitos mais básicos de toda mulher, e é pela garantia desse direito fundamental que marchamos hojee marcharemos até que todas sejamos livres.
Somos todas as mulheres do mundo! Mães, filhas, avós, putas, santas, vadias...todas merecemosrespeito!

Carta Manifesto Marcha das Vadias – Brasília Reproduzida pelo Fórum Goiano de Mulheres – AMB (Articulação de Mulheres Brasileiras)

domingo, 3 de julho de 2011

ALERTA VERMELHA!!

AJUDEM A DIVULGAR


Sexta-feira, 1 de Julho de 2011 15:38:53

BLOGUEIRO AMEAÇADO DE MORTE POR DENUNCIAR MILÍCIA NO ES (livre publicação)

De:

"lungaretti@uol.com.br"

Exibir contato

Para:

"naufrago-da-utopia@blogspot.com"


CELSO LUNGARETTI

ALERTA VERMELHO: BLOGUEIRO MARCADO PARA MORRER PEDE SOCORRO

"Chamo a sua atenção para a matéria Julio Cesar: delegado é acusado de formar milícia no ES Veja se pode me apoiar divulgando o caso, pois estou ameaçado de morte."

Recebi este apelo do bravo guerreiro Antuérpio Pettersen Filho, que preside a Associação Brasileira de Defesa do Indivíduo e da Cidadania e edita o jornal eletrônico Grito Cidadão.

Veterano de muitas batalhas, o Pettersen é a última pessoa do mundo de quem possamos suspeitar de alarmismo. Afianço: a ameaça é séria e todos que puderem ajudar em algo, devem fazê-lo o quanto antes.

O motivo são as denúncias que ele vem fazendo contra Julio César Oliveira Silva, delegado de Polícia Civil que Pettersen acusa de ser remanescente do Esquadrão da Morte e continuar até hoje envolvido com o crise organizado.

Isto, aliás, se verificou também com seu extinto congênere paulista, desbaratado pelo promotor Hélio Bicudo. Inicialmente protegido pela ditadura militar, o bando do delegado Sérgio Paranhos Fleury perdeu o apoio da caserna quando Bicudo provou que nada tinha de justiceiro, apenas exterminando traficantes menores a soldo de um traficante maior, que queria eliminar a concorrência.

Eis a ficha do delegado Júlio Cesar, segundo o blogueiro:

"Até outro dia ocupando o cargo de Chefia Geral de Polícia Civil, (...) o delegado de Polícia Civil Julio César Oliveira Silva [é] egresso de breve carreira na Polícia Federal, (...) membro atuante da proscrita Escuderia Le Cocq, banida por determinação do Ministério Público, ainda assim, ocupante do mais alto cargo na hierarquia da Polícia Civil capixaba, famoso por suas ligações com o submundo do crime... [Agora ocupa] o cargo de delegado titular da Divisão de Promoção Social da Polícia Civil, órgão que maneja licenças médicas e afere legalidade para o porte de arma dos policiais civis, (...) onde tem menos visibilidade, (...) no entanto, vem o Delegado usando das suas faculdades para promover seus interesses pessoais e escusos".

Por estar na mira de inimigos extremamente perigosos, Pettersen decidiu encaminhar "pedido de medidas protetivas de vida ao Ministério Público Federal, próprias do Programa de Proteção a Testemunhas, a fim de que sejam tolhidos os que compõem a gangue que parece ter assumido o controle da Polícia Civil capixaba".

O alerta está lançado: nossa solidariedade talvez represente a diferença entre a vida e a morte para Pettersen!

NB – NOTÍCIAS DO BRASIL, ATENDENDO AO PEDIDO DO COLEGA CELSO LUNGARETTI, NOSSO COLABORADOR. OTÁVIO MARTINS – EDITOR.

UMA LINDA MENINA

(Por Diego EL Khouri)

Como sempre atrasado. Corria de um lado ao outro tentando me direcionar. Ela não ia esperar muito tempo pelo pouco que a conheço. Ameaçava uma chuva tímida. Aquelas chuvas que só aparecem de quando em quando para atravancar nosso caminho. Ela deve estar na segunda garrafa de cerveja olhando ao redor. Daqui a pouco irá se interessar pelo primeiro camarada que lhe sorrir e lhe apontar a atenção ao seu belo carro de uma marca cara entupido de som. Um filho da puta com certeza sem neurônios. Esse tipo comum que agrada as mulheres, principalmente aquelas que bancam de intelectual. Ela é uma intelectual de fato. Daquelas que não usam batom e não penteiam o cabelo. Mas é bela. Toma banho todos os dias e mesmo sendo a exposição nua e crua de uma bárbara ela é bela. E que lábios e que boca e que olhos! A minha noção de bárbaro se deve a minha infância num interior vagabundo de Goiás. Lia e lia e relia e me escondia nas história espetaculares dos livros de fantasia. Eu era estranho. Me sentia só e desajustado. O único da sala que não praticava esportes e não tinha cabelo no saco. Isso era terrível e inaceitável naquele ambiente tão inóspito para mim. A única coisa de grande que tinha era meu nariz e meu pau. Mas e daí?! este último ninguém via. Não sabia ainda usá-lo de forma correta. Um bárbaro não entende nada. Não escuta nada.Apenas sua voz interior. Aquela voz que para alguns seria deus e pra outros o demônio. O bárbaro é um alienado de marca maior. Não se agrega a nada nem a ninguém. Muito menos a Deus ou o acaso. É vítima das injustiças do mundo, alheio a esportes e odeia tomar banho. Quando gosta de esportes pratica sozinho em total solidão. As pessoas não querem um perdedor no seu time. A cafeína é indispensável. Um bárbaro não pode dormir. Precisa primeiro ligar o rádio e ouvir aquilo que ninguém ouve. O abismo sem pelos e sem contornos e sem marca de sol. O abismo sem cabelos compridos e sem uma boca carnuda e vermelha e sem seios que saltem do roupão entreaberto insinuando uma volúpia que é a imagem exata da Morte. Agora me lembro do réquiem de Beethoven. Isso se data de minha infância. A infância sempre. Eu chamaria de inferno de Dante. Cada nota parece um adeus. Cada parte da melodia um mergulho na inconsciência. Um desvio da mente.
“Merda! Esse ônibus não passa logo!” Saí do meu serviço mais tarde do que o previsto. Sempre esse emprego pra me foder. Se esse emprego fosse pelo menos uma mulher linda, aliás nem precisava ser linda, bastava ter dente, iria fodê-la com toda a fúria que esse jovem bárbaro é capaz. Beleza! O “maledeto” está vindo. Pronto. Acabei de passar na catraca. Dois bancos vazios?!!! Isso é coisa rara. Melhor me acomodar logo. Que barulheira é essa?! Ai ai ai! Porque o povo não entra logo nessa porra de ônibus?!!! Sempre algo vem e me atrapalha. Será que deus é argentino? Não. Se fosse argentino ele já teria me matado. E quem disse que eu não estou morto? Com esse problema todo de flatulência que trago comigo... herdei da minha vó. Ela peidava muito! Parecia um exército todo destruindo bases rivais. É. E começou a merda toda! Sou ansioso pra caramba! Isso me leva ao famoso peidoril. Sempre busco me conter. Aprendi ao longo dos anos a controlar um pouco esse meu defeito de fábrica. É só não mexer. Ficar quietinho, em silêncio, inaudível... mas por que essa gostosa tinha que sentar justo do meu lado? Deixa eu mudar a pergunta. Por que esse banco vazio aqui do lado? Caralho! Descobri! Eureca! Deus é argentino!!!
Viva a Argentina!! Sem ela eu não teria vontade de peidar!! A peituda do meu lado sorriu para mim. Ela tirou da cara seu Ray-ban que mais parecia o óculos do Kamen Rider. O cabelo dela é de um loiro intenso e seus lábios de um vermelho escarlate mais vermelho que o coração desse rapaz aqui passional. Mais um sorriso. Não devolvi. Permaneci sem mexer com uma puta vontade de peidar. Meu organismo todo tremia. Um movimento simples poderia ser fatal. Deixa eu desviar meus pensamentos. Deixa eu lembrar de algo. Hum... aquela festa que entrei sem ser convidado. Cerveja demais. Mulher demais. Viado demais. Puta demais. Bêbados demais. Em qual desses me agrego? Talvez bêbado demais. Estava algumas doses alterado e alguns dias que eu não fodia. Uma seca desgraçada. Nesse local nada de Beethoven, Stravinsky ou Vivaldi. Era só a nata da música brasileira. Os bregas dos bregas. Mas o que é brega senão isso?A noção sem graça e eterna da lucidez? Lembro muito bem dessa noite. Eu sempre depois de tomar umas me vem aquela vontade insana de mijar. Eu mijo mais que bebo. Apesar que bebo muito também. É um casamento que estipulei na minha vida. Certa noite (eu tinha uns dezessete anos de idade) eu apresentei meu mijo a cerveja. “Mijo, essa é a cerveja. Cerveja, esse é o mijo. E seja o que deus quiser!” aquela festa. Ahhh... Eu no banheiro dando aquela urinada gostosa e ao me voltar para trás para sair daquele banheiro fedorento (tinha bosta até no teto, não me pergunte como) eu vi um negão musculoso de uns dois metros de altura. “E aí rapaz, tira o pau pra fora! Eu vou chupar!” ele meteu aquela sua mão enorme cheia de calos e unhas e esmalte vermelho bem no meu saco. Se fosse a menina sentada do meu lado com certeza ia ficar de pau duro. Mas não. Tinha que ser um negão enorme e musculoso com um shortinho ridículo e careca com um batom super vermelho! Beleza. Tinha duas opções. Abrir o zíper, por meu pau pra fora, deixar ele duro e assim ele chupar pra me deixar em paz. Mas não ia dar certo. Ia broxar. Me desculpem não sou máquina. Eu custo a ficar de pau duro até com algumas mulheres. E não venham culpar o álcool por isso. A culpada é essas desgraçadas sutis belezas que não se preocupam em se lavar e acham que temos que permanecer com tesão muito tempo ou até mesmo fingir o tesão que para nós homens é algo impossível. Às vezes penso se o homem fingisse orgasmo como as mulheres ia ser tudo mais fácil . Tá. Isso é escolha pessoal. Vamos voltar ao negão viado. (Preciso não peidar. Pelo menos nesse “buzu” ao lado dessa linda mulher.) A mão dele no meu saco. buceta! Ele acha que vou ficar excitado agarrando meu pau desse jeito?!! O máximo que pode acontecer é quebrar o dito cujo. Eu o empurrei e sai correndo. Os seguranças me viram e me pegaram. Fui expulso da festa a chutes, pontapés e xingos. O negão era o anfitrião da festa. Fico pensando... se eu o tivesse deixado dar uma chupadinha, uma simples chupadinha, quem sabe eu poderia ficar de boa na festa até amanhecer e beber e comer de graça a noite toda. Quando a gente é jovem é bobo. Não aproveita as oportunidades. O meu peido está fazendo zigue-zague dentro de mim. Aprendi isso na quarta série. Eu uso o poder da mente e um leve movimento de quadril quase imperceptível e o peido desce batendo nas paredes do estômago e saí de mansinho, de arsinho. O único foda é que fede muito mais do que aqueles rojões, mas como sou expert em peido sei me livrar disso. É só começar a ficar indignado com as pessoas ao redor e meter o pau em quem peidou. Isso sempre deu certo. Mas nunca antes uma gostosa ficava me encarando com lascívia no momento que eu precisava dar aquela baforadinha. Pronto. Mexer devagarzinho. Lembrar de lambada. Quase uma dança. Só que mais devagar. Bem lentamente. Quase parando. Um pra cá. Um pra lá. Um pra lá. Um pra cá. 1 e 2. 2 e 1. 1 e 2. 1 e 1. Buraco, cratera e o caralho!!!!!!!!!!!!!!! PUMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! PUTA QUE PARIU!!! QUE PEIDO E QUE BURACO DESGRAÇADO. QUE MOTORISTA DESGRAÇADO! QUE VIDA MAIS FILHA DA PUTA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Acho que foi o peido mais estrondoso dos últimos cem anos na história mundial. Lembrou muito Pavarotti, só que um Pavarotti desafinado pra cacete. Olhei pra ninfeta de soslaio. O sol batia em seus cabelos dando um dourado mais intenso do que nunca. Sua boca era a volúpia real e seus seios sem mácula vestidos de uma nudez quase eterna e seus seios... Ah que seios! Que lindo seios! Que seios deliciosos! Eu estava mais vermelho que uma maçã. Fiquei uns 5 minutos sem olhar no rosto dela. E o povo puto da vida me chamando de sem educação. “A culpa foi do buraco seus estúpidos!” Em outra ocasião eu até poderia reagir. Mas ali não. Eu desejava ardentemente a rainha do meu delírio. Uma mulher nunca chuparia o pau de um cara que peida em público. Ela pensaria assim: “se ele peida sem nenhum pudor no meio das pessoas pensa o que fará na cama entre quatro paredes! E que saco fedorento ele deve ter!” Mais cinco minutos se passaram. O cheiro ainda se instalava naquele ônibus super lotado. Resolvi olhar para ela. Mas não tinha coragem. Ela era linda demais. Tentei umas duas vezes olhar. Na terceira foi uma olhada rápida. Ela estava olhando para mim. Devia estar contrariada.O meu cú poderia ter um cadeado. Peidar só na hora que tirasse o cadeado e as correntes. Então vai ou racha!! Olhei pra ela e ela olhou para mim. Ela tirou seu Ray-ban e piscou.
-- Oi gatinho! Sabia que você é uma gracinha!
E pegou na minha mão. Desesperado resolvi levantar do banco e sair de perto. Pensei: “se uma mulher ao ver um cara soltando aquele rojão ainda se interessar por ele no mínimo ela não lava a xoxota!” já peguei muita xoxota fedorenta. Mas minha cota acabou!
A viagem prosseguia. Porque de fato era uma viagem. Mesmo daquelas intermináveis. Eu morava longe de tudo. Trabalhava longe de tudo.Me sentia longe de tudo. Era um escravo do capitalismo e me sentia devassado perante tantas injustiças. Queria ser um carrasco. O filho do demônio. A luz negra do ódio vestindo sua cueca suja e suas espadas de fogo. O terrorista que mata sem perdão. Um ser que age sem paixão. O hermético soldado das favelas e o cantador cheio de firulas com seu smoking e sua barriga de “lobó” e seu sorriso de sarcasmo e lascívia insana e intempestiva. Ser talvez o ser causador de todo o caos abrandasse a dor do meu coração ou pelo menos faria as coisas serem mais toleráveis ou divertidas. Mas bem. Pelo menos ainda tenho o álcool e uma buceta aqui e acolá pra passar o tempo.
Agora falta pouco. Bem pouco. Minha musa está logo ali. Deve estar tri chapada e também puta da vida comigo. Uma bosta essa condução! O ônibus sacoleja mais que sambista de escola de samba carioca. Daqui a pouco chego no Terminal da Bíblia e é só andar um tanto até o bar onde se encontra a causadora dos meus delírios.. Último sinaleiro. Último obstáculo. A porta que me separa de minha deusa. Ela era assim, uma artista e eu seu bocó. É ilustradora, design gráfico, desenhista e estuda belas artes na federal de Goiânia; já está no segundo período e além de estudar na faculdade trabalha lá. Três vezes na semana de manhã. É um tipo de mulher que não se cuida muito, mas mesmo assim não deixa de ser linda. Transpira independência e altivez. Tem uns lábios que emanavam volúpia e uma pele de um branco que lembra funeral. Cabelos não muito grandes e pretos como as trevas. É magra feito aquelas modelos anorexias mas tem uma bundinha empinadinha. Um sinaleiro só... Vermelho. Só vermelho. Essa cor me lembra o sangue das batalhas de stalingrado que assistia nos documentários com tesão masoquista.
O coração acelera rápido e não há mais nenhum vestígio da fumaça fétida que emanei há alguns instantes. Os minutos vão passando e o sinal ainda vermelho. Apenas vermelho. Sempre gostei dessa cor escarlate por causa dos filmes de ação do Arnold Schwarzenegger. E que belos filmes! Sempre fui um cara sensível. Démodé pra cacete! O que me dá uma característica comum em relação a ordem mundial é gostar dos filmes do Schwarzenegger. Ele é demais! Principalmente nas cenas de melodrama onde se exige muito do artista e ele é um cara com um talento raro. Cada personagem é diferente do outroo. Um talento que pesa mais de 80 quilos de massa muscular e algumas pepitas de ouro.
Sempre odiei Shakespeare. Pra mim ele é um escritor enfadonho, viado e que não sabe enxergar as coisas belas da vida. Porra! De tragédia basta a minha vida! E que vida mais desgraçada eu tenho! Já to quase cochilando nesse ônibus sujo. Quase... quase... minhas costas doem e um suor fétido escorre de minha testa e de meu sovaco. Suor que lembra trabalho e trabalho que lembra serviço e serviço que lembra o lugar filho da puta onde me encontro, de segunda a segunda, dia após dia, hora após hora. Eu sou um cristão sem querer. Sempre viro a outra face para os meus inimigos. Não por escolha religiosa mas por condição existencial. E nesse momento meu maior inimigo é esse sinaleiro aí: Vermelho, insano e prepotente).
CARALHOOOOO!!!!! O SINAL ABRIU!!!! Verdinho, verdinho. Sempre gostei dessa cor. Talvez minha ligação com a erva, sei lá. Essa cor sempre me leva a sensação de liberdade (além de sonolência). Mas agora não posso ser sonolento. Preciso ser firme e preciso. Ir atrás de minha donzela. Não sou nenhum príncipe. Estou muito longe disso. Mas tenho uma espada que vou falar pra você. Que espada! Ainda mais quando ela está em guarda, ereta como uma rocha. Povo lento! É preciso empurrar toda uma tropa para sair desse terminal, subir a avenida universitária, seguir sentido a minha musa que fica na praça perto da biblioteca da PUC, num barzinho onde os unversotários se encontram para conversarem. Sabe aqueles seus papinhos fúteis e sem graça né? Pois é... ela sempre está no meio deles... ninguém é perfeito... nem mesmo eu que tenho um pau grande.
Empurrei uma velinha tão bonitinha. Mas foda-se! Sou capaz de tudo pelo meu ideal. Sou um pouco Maquiavel. É nessas horas que a gente nota o quanto faz falta academia. Um sedentário sofre demais nos momentos cruciais da vida. Corro e corro e corro. Espero um pouco. Os carros passam numa velocidade voraz. Mais uns 5 minutos para conseguir atravessar a rua. Chego enfim na Praça Universitária. Estava parecendo um molambo. Um grupo de capoeiristas zumbis com berimbaus incrustados ali todos os dias tocam uma música delirante e cheia de vida. Um canto repetitivo e uma dança magnífica. Mas não estou com tempo para isso. Um grupinho está bem ali fumando um. Ah pra isso sempre tenho tempo. Calma, calma. Meu foco hoje é minha princesa. O resto é supérfluo. Relaxa. Respira. Isso. Passo a biblioteca. No final da praça o bar dos marionetes que bancam serem marxistas sem nunca terem lido uma obra sequer de Karl Marx. Sou mais João Zeferina. Ele me ensinou a me masturbar com bucha de banho. A maior descoberta da minha vida além dos livros de Bocage, outra masturbação. O Brasil sim é um país sem memórias. Mas eu tenho uma memória, modéstia parte, bastante avançada. Lembro inclusive daquela bela trepada com a Aninha que nunca se realizou. Ela era tão safadinha. E eu tão certinho... Parece que minha vida não funciona. Igual esse refrigerador vagabundo que comprei do tio Carlos. Ele é um trambiqueiro de marca maior. Puteiro assumido. Agiota nas horas vagas. Querido pilantra. Minha família é o caos. Um mar em combustão tragando o Nada para a alegria do todo, de deus e do Silvio Santos, grande imperador da gravata verdinha.
“Oh my honey! Fuck you!!” diz o céu sobre minha cabeça. Não pensem na minha cabeça. Esqueçam minha cabeça. Menosprezem minha cabeça. Tá. To ficando careca. Mas e daí? Sempre meu pinto terá mais de dezoito centímetros. E você caro leitor, que por falta de talento apenas lê? Diz que Paulo Coelho é bom sem saber que Paulo Coelho nunca escreveu na vida, apenas relincha e desmunheca nas escolas ociosas do saber. Passei pelas escolas de arte. Não faço nada. Sou o ator da vida. E nada de presunto. Preciso urgente de mortadela. Caminho. Caminho. Caminho. Caminho. Caminho.
Caminho
Caminho
Caminho
Minho
Inho
Inho
Inho
Inho.


Vou sozinho.
Preciso chegar no meu caminho. Insisto nos passos retos e percebo que não sou eterno. O cansaço bate e o suor escorre. Não tenho sorte. Tá tudo tão foda! Tão blasé. Tão sem graça... Corro sem coordenação nenhum esbarrando em muitas pessoas, esses seres sem noção, bando de transeuntes múmias sem identidade. Pareço Roberto Carlos, aquela risada lembra minha amada. São tantas emoções e tantos passos e passos ao local... cheguei!! hahahaha!! O bar está lotado! Cheio de jovens de gola pólo, camisa da Volcon e tênis Nike. Alguns de moicano se proclamando punks esperando o pai em seu conversível, último modelo do ano, para levá-los pra casa. Universitário é uma raça sem caralho. Os rapazes fazem “xixi” e as mulheres “defecam”. Prefiro mijar e cagar. Soa melhor. Nada de exacerbismo formal. Postura “séria” e “compenetrada”. Como dizia o mestre, “bom é a língua errada do povo, ao passo o que a gente faz é simplesmente macaquear a sintaxe lusíada”. Somos macacos? Então cada um no seu galho. E se formos marionetes? Cada um no seu quadrado. Cada um no seu quadrado. Cada um no seu quadrado. “Eu não sou cachorro não”.
Mais umas tropeçadas, uns encontrões, uns esbarrões sem querer e pronto. Ali a deusa a. A deusa dos meus delírios. A minha musa.
-- Oi, querida. Demorei?
-- Imagina...
-- Como foi seu dia?
-- Trabalhei demais. Estou cansada... (bocejo)
-- Hoje o trânsito estava um caos.
-- Novidaaade.
-- Bebe não?
-- Só água. Nem refrigerante.
-- Vou pedir uma Brahma. Garçom! Aquela Brahma gelada!! Hoje você está linda, querida!
-- Por que? Ontem eu tava feia?
-- N-não é isso... Tipo...
-- Tipo que você não sabe o que falar.
-- Quer comer algo?
-- Não.
-- Nem espetinho?
-- NÃO!
-- Quer beber água então?
-- NÃO!!
-- Então vamos conversar.
-- Você que sabe.
-- Já ouviu o réquiem do Beethoven?
-- Que bosta! Eu gosto é de Ana Carolina.
-- Eu curto não. Ela me soa a sapatão.
-- Tem preconceito?
-- Tipo...
-- Tem preconceito??
-- Assim...
-- Tem preconceito??????
-- Não posso dizer que...
-- TEM PRECONCEITO??!!!!
-- Assim...
Discretamente ela fez minha mão disfarçadamente pegar suas partes íntimas e algo crescia rapidamente em seu corpo e não era um bebê... meu coração acelerava descompassadamente.. Depois eu percebi que ELE queria um oral, fomos para o motel e fiquei pensando no negão viado... esse traveco aqui pelo menos tem um rostinho bonitinho e geme fino...