sexta-feira, 22 de julho de 2011

REVELAÇÃO

Por: Fabio da Silva Barbosa

Impacto
Porra, seu filho da puta
Rezo pela bomba atômica
Desgraçado
Infeliz
Ódio
Loucura
Rancor
Tristeza
Amargura
Espírito suicida
Aprendizagem
Superação
Crescimento
Vida
Morte

domingo, 17 de julho de 2011

A MORDIDA DA SERPENTE


(Por Talita Mael)

Ela abriu a gaveta, pegou o espelhinho antigo, aqueles cílios soltos no olho a incomodavam. Observou no espelho, há quanto tempo o ganhara da avó? Tinha trinta anos ou mais. Foi no aniversário de oito anos? Os contornos em material dourado, estavam enegrecidos, mas ainda se via o trabalho precioso dos arabescos. Como ele se parecia com aquela bela avozinha que ficou esquecida na infância da menina, que sabia sorrir…
Admirou-se no espelho, os olhos começaram a inquiri-lo, numa insistência pérfida. E a picada se deu naquele momento… O espelho trincou em mil faces, cada fragmento refletiam imagens que se ampliavam e se sucediam no mais profundo daquela retina tinturada pela cor cinzenta opaca e triste, de uma tarde fria esquecida pelo por do sol.
Aonde estava a felicidade? Pensou que há muito tempo ela entorpeceu sua juventude, mas ainda não a transformara em fantasmas que arrastavam correntes veladas pela alma amarga. Agora uma alegria ansiosa vibrava latente, querendo explodir os sonhos, revelar um tempo que ainda não se pronunciara, por estar calado no porão do desejo. Este que fora submerso na banalidade da casa e no cotidiano previsível andarilho da mesma rua, enaltecendo palavras que anoiteceram a juventude precocemente…
Que ao menos fosse uma estrela! Mesmo sendo apagada, um dia, tentara ser luz. Agora acreditaria que antes de tombar numa raiz velha, ainda poderia produzir seiva, ser palmeira pra se esgueirar verticalmente em busca do sol.
O nó estava se afrouxando… Agora sim poderia desenhar o seu horizonte, nem que fosse somente para se deslumbrar com o arco-íris e a palmeira a perfilar em sombras…
A serpente surgiu no espelho trincado, insistiu que não lhe dera veneno. Havia, sim, destilado mel. Ela se transformou em flor… O mel transbordava amarelo. E tudo se fez em ouro brilhante e quente. Era o retorno daquele velho e novo por do sol.
O barulho dos cacos se fundiu ao som do celular, que tocava teimoso. O cheiro de comida queimada… O almoço no fogo. A voz adolescente foi ficando sonora e próxima, mãeeeee… O espelho, no chão, não refletia aquela antiga imagem…

Dos poros o doce escorria.

domingo, 10 de julho de 2011

CEGUEIRA E ESCRAVIDÃO

GLAUCO MATTOSO PALESTRA SOBRE "CEGUEIRA E ESCRAVIDÃO" EM EVENTO SM

O poeta e ficcionista fetichista Glauco Mattoso dará palestra para
adeptos do sadomasochismo e do bondagismo no dia 23 de julho, sabbado,
das 17h30 às 18h no 8º Encontro Internacional de BDSM promovido pelo
Clube Dominna no Café Concerto Uranus, Rua Dr. Carvalho de Mendonça, 40,
Sancta Cecilia. Para mais informações, o contacto é o da Mistress Bella,
organizadora do evento:

bela@clubedominna.com.br
www.clubedominna.com

Sobre o novo livro de contos sadomasochistas do auctor, TRIPÉ DO
TRIPUDIO E OUTROS CONTOS HEDIONDOS, e sobre a nova anthologia podolatra
AOS PÉS DAS LETTRAS, organizada por Antonio Vicente Seraphim Pietroforte
com collaboração do auctor, accessar os sites:

www.tordesilhaslivros.com.br
www.annablume.com.br

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terça-feira, 5 de julho de 2011

POR QUE MARCHAMOS?

No Brasil, marchamos porque aproximadamente 15 mil mulheres são estupradas por ano, e mesmoassim nossa sociedade acha graça quando um humorista faz piada sobre estupro, chegando aocúmulo de dizer que homens que estupram mulheres feias não merecem cadeia, mas um abraço;
Marchamos porque nos colocam rebolativas e caladas como mero pano de fundo em programas deTV nas tardes de domingo e utilizam nossa imagem semi-nua para vender cerveja, vendendo a nósmesmas como mero objeto de prazer e consumo dos homens; marchamos porque vivemos em umacultura patriarcal que aciona diversos dispositivos para reprimir a sexualidade da mulher, nos dividindoem “santas” e “putas”, e muitas mulheres que denunciam estupro são acusadas de terem procuradoa violência pela forma como se comportam ou pela forma como estavam vestidas;
Marchamos porquea mesma sociedade que explora a publicização de nossos corpos voltada ao prazer masculino seescandaliza quando mostramos o seio em público para amamentar nossas filhas e filhos;
Marchamosporque durante séculos as mulheres negras escravizadas foram estupradas pelos senhores, porquehoje empregadas domésticas são estupradas pelos patrões e porque todas as mulheres, de todas asidades e classes sociais, sofreram ou sofrerão algum tipo de violência ao longo da vida, seja simbólica,psicológica, física ou sexual.
No mundo, marchamos porque desde muito novas somos ensinadas a sentir culpa e vergonhapela expressão de nossa sexualidade e a temer que homens invadam nossos corpos sem o nossoconsentimento;
Marchamos porque muitas de nós somos responsabilizadas pela possibilidade desermos estupradas, quando são os homens que deveriam ser ensinados a não estuprar;
Marchamosporque mulheres lésbicas de vários países sofrem o chamado “estupro corretivo” por parte de homensque se acham no direito de puni-las para corrigir o que consideram um desvio sexual;
Marchamosporque ontem um pai abusou sexualmente de uma filha, porque hoje um marido violentou a esposa e,nesse momento, várias mulheres e meninas estão tendo seus corpos invadidos por homens aos quaiselas não deram permissão para fazê-lo, e todas choramos porque sentimos que não podemos fazernada por nossas irmãs agredidas e mortas diariamente. Mas podemos.
Já fomos chamadas de vadias porque usamos roupas curtas, já fomos chamadas de vadias porquetransamos antes do casamento, já fomos chamadas de vadias por simplesmente dizer “não” a umhomem, já fomos chamadas de vadias porque levantamos o tom de voz em uma discussão, já fomoschamadas de vadias porque andamos sozinhas à noite e fomos estupradas, já fomos chamadas devadias porque ficamos bêbadas e sofremos estupro enquanto estávamos inconscientes, já fomoschamadas de vadias quando torturadas e estupradas por vários homens ao mesmo tempo durante aDitadura Militar. Já fomos e somos diariamente chamadas de vadias apenas porque somos MULHERES.
Mas, hoje, marchamos para dizer que não aceitaremos palavras e ações utilizadas para nos agredirenquanto mulheres. Se, na nossa sociedade machista, algumas são consideradas vadias, TODAS NÓSSOMOS VADIAS. E somos todas santas, e somos todas fortes, e somos todas livres! Somos livresde rótulos, de estereótipos e de qualquer tentativa de opressão masculina à nossa vida, à nossasexualidade e aos nossos corpos. Estar no comando de nossa vida sexual não significa que estamosnos abrindo para uma expectativa de violência, e por isso somos solidárias a todas as mulheresestupradas em qualquer circunstância, porque foram agredidas e humilhadas, tiveram sua dignidadedestroçada e muitas vezes foram culpadas por isso. O direito a uma vida livre de violência é um dosdireitos mais básicos de toda mulher, e é pela garantia desse direito fundamental que marchamos hojee marcharemos até que todas sejamos livres.
Somos todas as mulheres do mundo! Mães, filhas, avós, putas, santas, vadias...todas merecemosrespeito!

Carta Manifesto Marcha das Vadias – Brasília Reproduzida pelo Fórum Goiano de Mulheres – AMB (Articulação de Mulheres Brasileiras)

domingo, 3 de julho de 2011

ALERTA VERMELHA!!

AJUDEM A DIVULGAR


Sexta-feira, 1 de Julho de 2011 15:38:53

BLOGUEIRO AMEAÇADO DE MORTE POR DENUNCIAR MILÍCIA NO ES (livre publicação)

De:

"lungaretti@uol.com.br"

Exibir contato

Para:

"naufrago-da-utopia@blogspot.com"


CELSO LUNGARETTI

ALERTA VERMELHO: BLOGUEIRO MARCADO PARA MORRER PEDE SOCORRO

"Chamo a sua atenção para a matéria Julio Cesar: delegado é acusado de formar milícia no ES Veja se pode me apoiar divulgando o caso, pois estou ameaçado de morte."

Recebi este apelo do bravo guerreiro Antuérpio Pettersen Filho, que preside a Associação Brasileira de Defesa do Indivíduo e da Cidadania e edita o jornal eletrônico Grito Cidadão.

Veterano de muitas batalhas, o Pettersen é a última pessoa do mundo de quem possamos suspeitar de alarmismo. Afianço: a ameaça é séria e todos que puderem ajudar em algo, devem fazê-lo o quanto antes.

O motivo são as denúncias que ele vem fazendo contra Julio César Oliveira Silva, delegado de Polícia Civil que Pettersen acusa de ser remanescente do Esquadrão da Morte e continuar até hoje envolvido com o crise organizado.

Isto, aliás, se verificou também com seu extinto congênere paulista, desbaratado pelo promotor Hélio Bicudo. Inicialmente protegido pela ditadura militar, o bando do delegado Sérgio Paranhos Fleury perdeu o apoio da caserna quando Bicudo provou que nada tinha de justiceiro, apenas exterminando traficantes menores a soldo de um traficante maior, que queria eliminar a concorrência.

Eis a ficha do delegado Júlio Cesar, segundo o blogueiro:

"Até outro dia ocupando o cargo de Chefia Geral de Polícia Civil, (...) o delegado de Polícia Civil Julio César Oliveira Silva [é] egresso de breve carreira na Polícia Federal, (...) membro atuante da proscrita Escuderia Le Cocq, banida por determinação do Ministério Público, ainda assim, ocupante do mais alto cargo na hierarquia da Polícia Civil capixaba, famoso por suas ligações com o submundo do crime... [Agora ocupa] o cargo de delegado titular da Divisão de Promoção Social da Polícia Civil, órgão que maneja licenças médicas e afere legalidade para o porte de arma dos policiais civis, (...) onde tem menos visibilidade, (...) no entanto, vem o Delegado usando das suas faculdades para promover seus interesses pessoais e escusos".

Por estar na mira de inimigos extremamente perigosos, Pettersen decidiu encaminhar "pedido de medidas protetivas de vida ao Ministério Público Federal, próprias do Programa de Proteção a Testemunhas, a fim de que sejam tolhidos os que compõem a gangue que parece ter assumido o controle da Polícia Civil capixaba".

O alerta está lançado: nossa solidariedade talvez represente a diferença entre a vida e a morte para Pettersen!

NB – NOTÍCIAS DO BRASIL, ATENDENDO AO PEDIDO DO COLEGA CELSO LUNGARETTI, NOSSO COLABORADOR. OTÁVIO MARTINS – EDITOR.

UMA LINDA MENINA

(Por Diego EL Khouri)

Como sempre atrasado. Corria de um lado ao outro tentando me direcionar. Ela não ia esperar muito tempo pelo pouco que a conheço. Ameaçava uma chuva tímida. Aquelas chuvas que só aparecem de quando em quando para atravancar nosso caminho. Ela deve estar na segunda garrafa de cerveja olhando ao redor. Daqui a pouco irá se interessar pelo primeiro camarada que lhe sorrir e lhe apontar a atenção ao seu belo carro de uma marca cara entupido de som. Um filho da puta com certeza sem neurônios. Esse tipo comum que agrada as mulheres, principalmente aquelas que bancam de intelectual. Ela é uma intelectual de fato. Daquelas que não usam batom e não penteiam o cabelo. Mas é bela. Toma banho todos os dias e mesmo sendo a exposição nua e crua de uma bárbara ela é bela. E que lábios e que boca e que olhos! A minha noção de bárbaro se deve a minha infância num interior vagabundo de Goiás. Lia e lia e relia e me escondia nas história espetaculares dos livros de fantasia. Eu era estranho. Me sentia só e desajustado. O único da sala que não praticava esportes e não tinha cabelo no saco. Isso era terrível e inaceitável naquele ambiente tão inóspito para mim. A única coisa de grande que tinha era meu nariz e meu pau. Mas e daí?! este último ninguém via. Não sabia ainda usá-lo de forma correta. Um bárbaro não entende nada. Não escuta nada.Apenas sua voz interior. Aquela voz que para alguns seria deus e pra outros o demônio. O bárbaro é um alienado de marca maior. Não se agrega a nada nem a ninguém. Muito menos a Deus ou o acaso. É vítima das injustiças do mundo, alheio a esportes e odeia tomar banho. Quando gosta de esportes pratica sozinho em total solidão. As pessoas não querem um perdedor no seu time. A cafeína é indispensável. Um bárbaro não pode dormir. Precisa primeiro ligar o rádio e ouvir aquilo que ninguém ouve. O abismo sem pelos e sem contornos e sem marca de sol. O abismo sem cabelos compridos e sem uma boca carnuda e vermelha e sem seios que saltem do roupão entreaberto insinuando uma volúpia que é a imagem exata da Morte. Agora me lembro do réquiem de Beethoven. Isso se data de minha infância. A infância sempre. Eu chamaria de inferno de Dante. Cada nota parece um adeus. Cada parte da melodia um mergulho na inconsciência. Um desvio da mente.
“Merda! Esse ônibus não passa logo!” Saí do meu serviço mais tarde do que o previsto. Sempre esse emprego pra me foder. Se esse emprego fosse pelo menos uma mulher linda, aliás nem precisava ser linda, bastava ter dente, iria fodê-la com toda a fúria que esse jovem bárbaro é capaz. Beleza! O “maledeto” está vindo. Pronto. Acabei de passar na catraca. Dois bancos vazios?!!! Isso é coisa rara. Melhor me acomodar logo. Que barulheira é essa?! Ai ai ai! Porque o povo não entra logo nessa porra de ônibus?!!! Sempre algo vem e me atrapalha. Será que deus é argentino? Não. Se fosse argentino ele já teria me matado. E quem disse que eu não estou morto? Com esse problema todo de flatulência que trago comigo... herdei da minha vó. Ela peidava muito! Parecia um exército todo destruindo bases rivais. É. E começou a merda toda! Sou ansioso pra caramba! Isso me leva ao famoso peidoril. Sempre busco me conter. Aprendi ao longo dos anos a controlar um pouco esse meu defeito de fábrica. É só não mexer. Ficar quietinho, em silêncio, inaudível... mas por que essa gostosa tinha que sentar justo do meu lado? Deixa eu mudar a pergunta. Por que esse banco vazio aqui do lado? Caralho! Descobri! Eureca! Deus é argentino!!!
Viva a Argentina!! Sem ela eu não teria vontade de peidar!! A peituda do meu lado sorriu para mim. Ela tirou da cara seu Ray-ban que mais parecia o óculos do Kamen Rider. O cabelo dela é de um loiro intenso e seus lábios de um vermelho escarlate mais vermelho que o coração desse rapaz aqui passional. Mais um sorriso. Não devolvi. Permaneci sem mexer com uma puta vontade de peidar. Meu organismo todo tremia. Um movimento simples poderia ser fatal. Deixa eu desviar meus pensamentos. Deixa eu lembrar de algo. Hum... aquela festa que entrei sem ser convidado. Cerveja demais. Mulher demais. Viado demais. Puta demais. Bêbados demais. Em qual desses me agrego? Talvez bêbado demais. Estava algumas doses alterado e alguns dias que eu não fodia. Uma seca desgraçada. Nesse local nada de Beethoven, Stravinsky ou Vivaldi. Era só a nata da música brasileira. Os bregas dos bregas. Mas o que é brega senão isso?A noção sem graça e eterna da lucidez? Lembro muito bem dessa noite. Eu sempre depois de tomar umas me vem aquela vontade insana de mijar. Eu mijo mais que bebo. Apesar que bebo muito também. É um casamento que estipulei na minha vida. Certa noite (eu tinha uns dezessete anos de idade) eu apresentei meu mijo a cerveja. “Mijo, essa é a cerveja. Cerveja, esse é o mijo. E seja o que deus quiser!” aquela festa. Ahhh... Eu no banheiro dando aquela urinada gostosa e ao me voltar para trás para sair daquele banheiro fedorento (tinha bosta até no teto, não me pergunte como) eu vi um negão musculoso de uns dois metros de altura. “E aí rapaz, tira o pau pra fora! Eu vou chupar!” ele meteu aquela sua mão enorme cheia de calos e unhas e esmalte vermelho bem no meu saco. Se fosse a menina sentada do meu lado com certeza ia ficar de pau duro. Mas não. Tinha que ser um negão enorme e musculoso com um shortinho ridículo e careca com um batom super vermelho! Beleza. Tinha duas opções. Abrir o zíper, por meu pau pra fora, deixar ele duro e assim ele chupar pra me deixar em paz. Mas não ia dar certo. Ia broxar. Me desculpem não sou máquina. Eu custo a ficar de pau duro até com algumas mulheres. E não venham culpar o álcool por isso. A culpada é essas desgraçadas sutis belezas que não se preocupam em se lavar e acham que temos que permanecer com tesão muito tempo ou até mesmo fingir o tesão que para nós homens é algo impossível. Às vezes penso se o homem fingisse orgasmo como as mulheres ia ser tudo mais fácil . Tá. Isso é escolha pessoal. Vamos voltar ao negão viado. (Preciso não peidar. Pelo menos nesse “buzu” ao lado dessa linda mulher.) A mão dele no meu saco. buceta! Ele acha que vou ficar excitado agarrando meu pau desse jeito?!! O máximo que pode acontecer é quebrar o dito cujo. Eu o empurrei e sai correndo. Os seguranças me viram e me pegaram. Fui expulso da festa a chutes, pontapés e xingos. O negão era o anfitrião da festa. Fico pensando... se eu o tivesse deixado dar uma chupadinha, uma simples chupadinha, quem sabe eu poderia ficar de boa na festa até amanhecer e beber e comer de graça a noite toda. Quando a gente é jovem é bobo. Não aproveita as oportunidades. O meu peido está fazendo zigue-zague dentro de mim. Aprendi isso na quarta série. Eu uso o poder da mente e um leve movimento de quadril quase imperceptível e o peido desce batendo nas paredes do estômago e saí de mansinho, de arsinho. O único foda é que fede muito mais do que aqueles rojões, mas como sou expert em peido sei me livrar disso. É só começar a ficar indignado com as pessoas ao redor e meter o pau em quem peidou. Isso sempre deu certo. Mas nunca antes uma gostosa ficava me encarando com lascívia no momento que eu precisava dar aquela baforadinha. Pronto. Mexer devagarzinho. Lembrar de lambada. Quase uma dança. Só que mais devagar. Bem lentamente. Quase parando. Um pra cá. Um pra lá. Um pra lá. Um pra cá. 1 e 2. 2 e 1. 1 e 2. 1 e 1. Buraco, cratera e o caralho!!!!!!!!!!!!!!! PUMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! PUTA QUE PARIU!!! QUE PEIDO E QUE BURACO DESGRAÇADO. QUE MOTORISTA DESGRAÇADO! QUE VIDA MAIS FILHA DA PUTA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Acho que foi o peido mais estrondoso dos últimos cem anos na história mundial. Lembrou muito Pavarotti, só que um Pavarotti desafinado pra cacete. Olhei pra ninfeta de soslaio. O sol batia em seus cabelos dando um dourado mais intenso do que nunca. Sua boca era a volúpia real e seus seios sem mácula vestidos de uma nudez quase eterna e seus seios... Ah que seios! Que lindo seios! Que seios deliciosos! Eu estava mais vermelho que uma maçã. Fiquei uns 5 minutos sem olhar no rosto dela. E o povo puto da vida me chamando de sem educação. “A culpa foi do buraco seus estúpidos!” Em outra ocasião eu até poderia reagir. Mas ali não. Eu desejava ardentemente a rainha do meu delírio. Uma mulher nunca chuparia o pau de um cara que peida em público. Ela pensaria assim: “se ele peida sem nenhum pudor no meio das pessoas pensa o que fará na cama entre quatro paredes! E que saco fedorento ele deve ter!” Mais cinco minutos se passaram. O cheiro ainda se instalava naquele ônibus super lotado. Resolvi olhar para ela. Mas não tinha coragem. Ela era linda demais. Tentei umas duas vezes olhar. Na terceira foi uma olhada rápida. Ela estava olhando para mim. Devia estar contrariada.O meu cú poderia ter um cadeado. Peidar só na hora que tirasse o cadeado e as correntes. Então vai ou racha!! Olhei pra ela e ela olhou para mim. Ela tirou seu Ray-ban e piscou.
-- Oi gatinho! Sabia que você é uma gracinha!
E pegou na minha mão. Desesperado resolvi levantar do banco e sair de perto. Pensei: “se uma mulher ao ver um cara soltando aquele rojão ainda se interessar por ele no mínimo ela não lava a xoxota!” já peguei muita xoxota fedorenta. Mas minha cota acabou!
A viagem prosseguia. Porque de fato era uma viagem. Mesmo daquelas intermináveis. Eu morava longe de tudo. Trabalhava longe de tudo.Me sentia longe de tudo. Era um escravo do capitalismo e me sentia devassado perante tantas injustiças. Queria ser um carrasco. O filho do demônio. A luz negra do ódio vestindo sua cueca suja e suas espadas de fogo. O terrorista que mata sem perdão. Um ser que age sem paixão. O hermético soldado das favelas e o cantador cheio de firulas com seu smoking e sua barriga de “lobó” e seu sorriso de sarcasmo e lascívia insana e intempestiva. Ser talvez o ser causador de todo o caos abrandasse a dor do meu coração ou pelo menos faria as coisas serem mais toleráveis ou divertidas. Mas bem. Pelo menos ainda tenho o álcool e uma buceta aqui e acolá pra passar o tempo.
Agora falta pouco. Bem pouco. Minha musa está logo ali. Deve estar tri chapada e também puta da vida comigo. Uma bosta essa condução! O ônibus sacoleja mais que sambista de escola de samba carioca. Daqui a pouco chego no Terminal da Bíblia e é só andar um tanto até o bar onde se encontra a causadora dos meus delírios.. Último sinaleiro. Último obstáculo. A porta que me separa de minha deusa. Ela era assim, uma artista e eu seu bocó. É ilustradora, design gráfico, desenhista e estuda belas artes na federal de Goiânia; já está no segundo período e além de estudar na faculdade trabalha lá. Três vezes na semana de manhã. É um tipo de mulher que não se cuida muito, mas mesmo assim não deixa de ser linda. Transpira independência e altivez. Tem uns lábios que emanavam volúpia e uma pele de um branco que lembra funeral. Cabelos não muito grandes e pretos como as trevas. É magra feito aquelas modelos anorexias mas tem uma bundinha empinadinha. Um sinaleiro só... Vermelho. Só vermelho. Essa cor me lembra o sangue das batalhas de stalingrado que assistia nos documentários com tesão masoquista.
O coração acelera rápido e não há mais nenhum vestígio da fumaça fétida que emanei há alguns instantes. Os minutos vão passando e o sinal ainda vermelho. Apenas vermelho. Sempre gostei dessa cor escarlate por causa dos filmes de ação do Arnold Schwarzenegger. E que belos filmes! Sempre fui um cara sensível. Démodé pra cacete! O que me dá uma característica comum em relação a ordem mundial é gostar dos filmes do Schwarzenegger. Ele é demais! Principalmente nas cenas de melodrama onde se exige muito do artista e ele é um cara com um talento raro. Cada personagem é diferente do outroo. Um talento que pesa mais de 80 quilos de massa muscular e algumas pepitas de ouro.
Sempre odiei Shakespeare. Pra mim ele é um escritor enfadonho, viado e que não sabe enxergar as coisas belas da vida. Porra! De tragédia basta a minha vida! E que vida mais desgraçada eu tenho! Já to quase cochilando nesse ônibus sujo. Quase... quase... minhas costas doem e um suor fétido escorre de minha testa e de meu sovaco. Suor que lembra trabalho e trabalho que lembra serviço e serviço que lembra o lugar filho da puta onde me encontro, de segunda a segunda, dia após dia, hora após hora. Eu sou um cristão sem querer. Sempre viro a outra face para os meus inimigos. Não por escolha religiosa mas por condição existencial. E nesse momento meu maior inimigo é esse sinaleiro aí: Vermelho, insano e prepotente).
CARALHOOOOO!!!!! O SINAL ABRIU!!!! Verdinho, verdinho. Sempre gostei dessa cor. Talvez minha ligação com a erva, sei lá. Essa cor sempre me leva a sensação de liberdade (além de sonolência). Mas agora não posso ser sonolento. Preciso ser firme e preciso. Ir atrás de minha donzela. Não sou nenhum príncipe. Estou muito longe disso. Mas tenho uma espada que vou falar pra você. Que espada! Ainda mais quando ela está em guarda, ereta como uma rocha. Povo lento! É preciso empurrar toda uma tropa para sair desse terminal, subir a avenida universitária, seguir sentido a minha musa que fica na praça perto da biblioteca da PUC, num barzinho onde os unversotários se encontram para conversarem. Sabe aqueles seus papinhos fúteis e sem graça né? Pois é... ela sempre está no meio deles... ninguém é perfeito... nem mesmo eu que tenho um pau grande.
Empurrei uma velinha tão bonitinha. Mas foda-se! Sou capaz de tudo pelo meu ideal. Sou um pouco Maquiavel. É nessas horas que a gente nota o quanto faz falta academia. Um sedentário sofre demais nos momentos cruciais da vida. Corro e corro e corro. Espero um pouco. Os carros passam numa velocidade voraz. Mais uns 5 minutos para conseguir atravessar a rua. Chego enfim na Praça Universitária. Estava parecendo um molambo. Um grupo de capoeiristas zumbis com berimbaus incrustados ali todos os dias tocam uma música delirante e cheia de vida. Um canto repetitivo e uma dança magnífica. Mas não estou com tempo para isso. Um grupinho está bem ali fumando um. Ah pra isso sempre tenho tempo. Calma, calma. Meu foco hoje é minha princesa. O resto é supérfluo. Relaxa. Respira. Isso. Passo a biblioteca. No final da praça o bar dos marionetes que bancam serem marxistas sem nunca terem lido uma obra sequer de Karl Marx. Sou mais João Zeferina. Ele me ensinou a me masturbar com bucha de banho. A maior descoberta da minha vida além dos livros de Bocage, outra masturbação. O Brasil sim é um país sem memórias. Mas eu tenho uma memória, modéstia parte, bastante avançada. Lembro inclusive daquela bela trepada com a Aninha que nunca se realizou. Ela era tão safadinha. E eu tão certinho... Parece que minha vida não funciona. Igual esse refrigerador vagabundo que comprei do tio Carlos. Ele é um trambiqueiro de marca maior. Puteiro assumido. Agiota nas horas vagas. Querido pilantra. Minha família é o caos. Um mar em combustão tragando o Nada para a alegria do todo, de deus e do Silvio Santos, grande imperador da gravata verdinha.
“Oh my honey! Fuck you!!” diz o céu sobre minha cabeça. Não pensem na minha cabeça. Esqueçam minha cabeça. Menosprezem minha cabeça. Tá. To ficando careca. Mas e daí? Sempre meu pinto terá mais de dezoito centímetros. E você caro leitor, que por falta de talento apenas lê? Diz que Paulo Coelho é bom sem saber que Paulo Coelho nunca escreveu na vida, apenas relincha e desmunheca nas escolas ociosas do saber. Passei pelas escolas de arte. Não faço nada. Sou o ator da vida. E nada de presunto. Preciso urgente de mortadela. Caminho. Caminho. Caminho. Caminho. Caminho.
Caminho
Caminho
Caminho
Minho
Inho
Inho
Inho
Inho.


Vou sozinho.
Preciso chegar no meu caminho. Insisto nos passos retos e percebo que não sou eterno. O cansaço bate e o suor escorre. Não tenho sorte. Tá tudo tão foda! Tão blasé. Tão sem graça... Corro sem coordenação nenhum esbarrando em muitas pessoas, esses seres sem noção, bando de transeuntes múmias sem identidade. Pareço Roberto Carlos, aquela risada lembra minha amada. São tantas emoções e tantos passos e passos ao local... cheguei!! hahahaha!! O bar está lotado! Cheio de jovens de gola pólo, camisa da Volcon e tênis Nike. Alguns de moicano se proclamando punks esperando o pai em seu conversível, último modelo do ano, para levá-los pra casa. Universitário é uma raça sem caralho. Os rapazes fazem “xixi” e as mulheres “defecam”. Prefiro mijar e cagar. Soa melhor. Nada de exacerbismo formal. Postura “séria” e “compenetrada”. Como dizia o mestre, “bom é a língua errada do povo, ao passo o que a gente faz é simplesmente macaquear a sintaxe lusíada”. Somos macacos? Então cada um no seu galho. E se formos marionetes? Cada um no seu quadrado. Cada um no seu quadrado. Cada um no seu quadrado. “Eu não sou cachorro não”.
Mais umas tropeçadas, uns encontrões, uns esbarrões sem querer e pronto. Ali a deusa a. A deusa dos meus delírios. A minha musa.
-- Oi, querida. Demorei?
-- Imagina...
-- Como foi seu dia?
-- Trabalhei demais. Estou cansada... (bocejo)
-- Hoje o trânsito estava um caos.
-- Novidaaade.
-- Bebe não?
-- Só água. Nem refrigerante.
-- Vou pedir uma Brahma. Garçom! Aquela Brahma gelada!! Hoje você está linda, querida!
-- Por que? Ontem eu tava feia?
-- N-não é isso... Tipo...
-- Tipo que você não sabe o que falar.
-- Quer comer algo?
-- Não.
-- Nem espetinho?
-- NÃO!
-- Quer beber água então?
-- NÃO!!
-- Então vamos conversar.
-- Você que sabe.
-- Já ouviu o réquiem do Beethoven?
-- Que bosta! Eu gosto é de Ana Carolina.
-- Eu curto não. Ela me soa a sapatão.
-- Tem preconceito?
-- Tipo...
-- Tem preconceito??
-- Assim...
-- Tem preconceito??????
-- Não posso dizer que...
-- TEM PRECONCEITO??!!!!
-- Assim...
Discretamente ela fez minha mão disfarçadamente pegar suas partes íntimas e algo crescia rapidamente em seu corpo e não era um bebê... meu coração acelerava descompassadamente.. Depois eu percebi que ELE queria um oral, fomos para o motel e fiquei pensando no negão viado... esse traveco aqui pelo menos tem um rostinho bonitinho e geme fino...

sábado, 2 de julho de 2011

ENTENDENDO A "ESTRANHEZA"


(Por Eduardo marinho)



Vi serem divididas comigo, quando andei no nível da mendicância, refeições paupérrimas. Fui abrigado no cantinho do casebre, dormi em capim fresco improvisado, sobre o chão batido. Ou pendurado nos caibros, em redes. Sob o teto precário de ruínas, casas abandonadas, construções, compartilhei comidas preparadas em latas quadradas de óleo, em fogueiras improvisadas. Em cidades, nos acostamentos e postos nas estradas. Fui hospedado em palafitas onde se ouve o barulho da merda batendo na água, quando se usa a “casinha”. Vi a parte abandonada dessa nossa humanidade, a parte enxotada dos benefícios da sociedade, escorraçada, roubada e ainda perseguida. E vi brotar na lama fétida, sobre a qual se construiu a estrutura social, o lírio lindo e perfumado da solidariedade, da generosidade, do altruísmo inacreditável que as dores implacáveis despertam. Eu não estava ali sofrendo por mim. Por mim, eu estava aprendendo avidamente, observando as vivências, ainda sem entender, mas sentindo, profundamente, o que nunca havia sentido. Sentindo o sentimento das pessoas, o sentimento dos lugares, o sentimento do mundo e da humanidade à qual pertenço. Absorvia os códigos, os valores, as fragilidades, os saberes e as sabedorias. Aprendi a admirar o heroísmo dos desprezados, aprendi a distingüir seu caráter, a individualizá-los. Reconheci enormes riquezas sob a capa da miséria. Sofri com as injustiças que nem os próprios miseráveis percebiam, embora as sofressem – e aprendi que era melhor esconder meu sofrimento. Os irmãos sacaneados são acusados por sua própria desgraça. As causas se esfumaçam no ar, com o controle do ensino e das comunicações, com o trabalho competente de publicitários, artistas, jornalistas, entre tantas profissões utilizadas contra a maioria, os povos, em favor de poucos.

Deve ser por isso que me causa tanto desconforto o uso, a presença, a proximidade ou a simples visão do luxo, da ostentação, de privilégios. Áreas privadas, seguranças, nobrezas, refinamentos, sofisticações, tudo passou a me parecer uma pantomima ridícula, primitiva, disfarces esfarrapados da nossa desumanidade, da indiferença que somos capazes, em nossa sede de privilégios e superioridades que denunciam a real inferioridade de espírito. Eu disse que me causa incômodo, não raiva. Meus sentimentos têm origem nas situações, não nas pessoas. Essas me causam uma certa tristeza, por inconscientes, por infantis, por superficiais, por iludidas.

Meu desconforto é moral, humano, pela ligação do luxo à miséria, pela inevitável relação do privilégio com a carência. Um sentimento que não se transfere às pessoas, mas às mentalidades, que não procura culpa, mas responsabilidades, nesta sociedade de miséria material e moral. Não é à toa a falta de sentido na vida da esmagadora maioria. Só os mais grosseiros podem se satisfazer com a abastança, com o usufruto, com o consumo. A insatisfação é clara.

Não espero encontrar meus sentimentos, pensamentos e opiniões em outras pessoas – embora, de raro em raro, aconteça. Se me desse ao trabalho e à arrogância de condenar valores e comportamentos dos quais discordo, viveria em conflitos pessoais, alimentaria sentimentos nocivos e desagradáveis e não teria tempo, nem espírito, para fazer os trabalhos que gosto e dão sentido à minha vida.

Não posso recomendar, nem pretendo voltar às situações de miséria material – onde, na verdade, nunca me senti, apesar dos anos e anos nestas situações. Mas não consigo ver valor no luxo, no excesso material, na ostentação e no desperdício. A ligação do valor material ao valor pessoal é de um primitivismo constrangedor. Expressões de insensibilidade, de sub-humanidade.

Fui considerado um cara estranho, incômodo ou simplesmente um chato, principalmente dos 15 aos 19 anos, no meio social de classe média-alta, onde nasci e vivi. Muitas vezes pensei que eu deveria ter alguma coisa errada, por ter vergonha do que os demais ostentavam com orgulho. Por questionar sentimentos de superioridade e tratamentos grosseiros contra serviçais e pobres em geral. Eu causava estranheza e me sentia estranho. Hoje, posso entender tranqüilamente e me dar razão, na minha pouca idade, com a vivência que hoje completa o 50º ano desse curso de vida. Entendo e me congratulo comigo mesmo quando, aos 19, depois de ter sido militar, bancário, estudante, mergulhador, vendedor, entre outras coisas, decidi “dedicar minha vida a refletir e causar reflexão, questionar valores vigentes e desenvolver meus próprios valores”, numa sociedade em que se fabricam, se impõem e se repetem pensamentos de laboratórios, para que ela seja como é. E saí pelo mundo, para experimentar o que era não ter nada e procurar o sentido de uma vida que, até então, não me parecia ter nenhum sentido. Mochila murcha nas costas, sem dinheiro nem paradeiro, sem parentes além da humanidade inteira.



Niterói, 26 de dezembro de 2010